Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Análise: Respostas vagas de candidatos dizem muito ao eleitor

Debate evidencia quando os candidatos apenas trazem a repetição de velhas fórmulas e discursos que já não atendem à complexidade da cidade

Luiz Bueno*, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 15h23

Como era de se esperar, o posicionamento na pesquisa determinou quem seria o alvo principal do ataque e das críticas dos candidatos no debate realizado pelo Estadão, em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap): no caso, o atual prefeito Bruno Covas (PSDB), que se isolou na liderança das intenções de voto.

Desta forma, os candidatos o elegeram como alvo prioritário, mas sem deixar de atacarem-se uns aos outros como forma de tentar sair do grupo que ficou embolado no segundo lugar, como foi o caso de Celso Russomanno (Republicanos), Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB). A citação a João Doria (PSDB) foi uma constante, na tentativa de arranhar a imagem do prefeito que, mesmo não negando a ligação com o governador, não pronunciou o nome do mesmo quando incitado.

Os candidatos, apesar de serem confrontados por questões que trouxeram temas fundamentais para a cidade, poucas vezes conseguiram trazer informações mais claras sobre o que pretendem fazer para a cidade no caso de serem eleitos. Mesmo o atual prefeito, em muitos momentos, se restringiu a citar números, como na questão da habitação ou mesmo quando o tema foi o da saúde no enfrentamento da pandemia. Ele mesmo se referiu a este aspecto nas suas considerações finais.

Os embates ideológicos esperados não aconteceram, exceto em um momento em que Jilmar Tatto (PT) falou em fascismo ao apontar a conexão de Márcio França com setores da direita, mas especialmente com o presidente Jair Bolsonaro. Nada mais nesse sentido apareceu.

Temas importantes como a pandemia e os efeitos na economia e na estrutura de saúde pública foram trazidos também por perguntas de cidadãos enviadas pelo Twitter. Mas as ponderações dos candidatos ainda foram restritas a alguns números e considerações genéricas. O momento mais acalorado se deu no enfrentamento entre Arthur do Val (Patriota) e Celso Russomanno, sendo este último provocado por do Val em afirmações de cunho mais pessoal. Russomanno respondeu rispidamente, mas ainda em um ponto de vista particular e menos a respeito de questões públicas.

Enfim, o debate serviu ao eleitor para que forme uma ideia geral sobre os candidatos. As respostas vagas também são elucidativas, se não sobre as propostas dos candidatos, muito mais sobre a falta delas e evidenciam quando eles apenas trazem a repetição de velhas fórmulas e discursos que já não atendem à complexidade da cidade e às novas demandas que os tempo atuais trouxeram. E isso, para o eleitor, já é um enorme ganho.

O Estadão e a Faap prestaram um inestimável serviço à cidade, oferecendo ao eleitor a oportunidade de ver os candidatos exporem algumas de suas ideias e avaliar seu posicionamento político e pessoal.

*PROFESSOR DE FILOSOFIA NA FAAP E PESQUISADOR EM FILOSOFIA POLÍTICA NO LABÔ/PUC-SP

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