ANÁLISE: PT na mira em debate sem graça

O presidenciável petista Fernando Haddad se mostrou pouco à vontade em seu primeiro debate como candidato ao Palácio do Planalto

Murillo de Aragão e Carlos Eduardo Borestein, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 01h01

Em seu primeiro debate como candidato ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad (PT) se mostrou pouco à vontade. Parece ter “sentido” a responsabilidade do debate. Ainda não se despiu do figurino de candidato “laranja”. Ele adotou uma abordagem saudosa, explorando a nostalgia de uma parcela do eleitorado com a Era Lula. Foi um discurso para a base social petista, batendo em medidas aprovadas pelo governo Temer como a reforma trabalhista e o Teto de Gastos, além de se referir de forma pejorativa ao mercado financeiro citando criticamente “os banqueiros da Faria Lima”. 

Apesar de parecer um pouco triste, Geraldo Alckmin (PSDB) se destacou mais que em debates anteriores. Diante da ausência de Jair Bolsonaro (PSL), partiu para o ataque contra o PT. Chamou atenção no debate a mudança de posicionamento de Ciro Gomes (PDT). Prejudicado nas pesquisas a partir da transferência de votos de Lula para Haddad, Ciro buscou se postar mais ao centro e com um perfil atipicamente moderado. 

Henrique Meirelles (MDB) voltou a enaltecer a sua competência na condução da economia. Mas, excessivamente professoral, parecia ser um candidato de país do primeiro mundo. Alvaro Dias (Podemos) e Guilherme Boulos (PSOL) seguem com o mesmo discurso. Dias fala como se estivesse no plenário do Senado e para ele mesmo. Boulos segue o receituário da esquerda raivosa dos anos 1980.

Embora não tenha havido nenhum grande vencedor ou perdedor, Haddad se desgastou com a lembrança contundente feita pelos adversários da herança negativa de Dilma. Algumas vezes, pareceu confuso. Alckmin, ainda que mais assertivo, continua com um discurso de difícil compreensão. Ausente do debate, Bolsonaro ficou no lucro. 

*CIENTISTAS POLÍTICOS DA ARKO ADVICE PESQUISAS E ANÁLISE POLÍTICA 

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