JF DIÓRIO /ESTADÃO
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ANÁLISE: Primeiro debate teve pouca proposta e muito generalismo

Muito generalismo e pouca proposta marcaram o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo. A inauguração do modelo mais enxuto e econômico de campanha eleitoral poderia transformar os debates na TV no principal (portanto, mais qualificado e influente) canal de comunicação entre candidatos e eleitores. Para tanto, espera-se que os concorrentes ao cargo de prefeito da maior cidade do País estejam preparados e munidos de informações e planejamento suficientes para dar conta das expectativas da sociedade e que, de fato, o desempenho no vídeo reflita o programa de governo de cada um.

Oded Grajew*, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2016 | 23h36

Entretanto, infelizmente, não foi o que vimos na noite de anteontem, no primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, transmitido pela TV Bandeirantes. Celso Russomanno (PRB), Fernando Haddad (PT), João Doria Jr. (PSDB), Major Olimpio (SD) e Marta Suplicy (PMDB) adotaram, de forma geral, linha semelhante de atuação, tradicionalmente marcada por generalismos de sobra e propostas de menos. 

Muito se fala em pobreza, mas ninguém toca no ponto central, na origem de quase todos os problemas da cidade: a desigualdade. A diferença entre as regiões centrais e as periferias de São Paulo é gritante e, para ser combatida em sua essência, demanda ações urgentes e intensivas dos gestores públicos. E esse assunto não teve espaço no debate da TV Bandeirantes. 

As promessas mais concretas ainda carecem, em grande parte, de objetividade e de embasamentos que atestem a viabilidade no contexto geral das necessidades da população. Os discursos ainda não alcançam o “como fazer”. Isso sem falar na distorção de alguns indicadores e dados, o que atesta o despreparo dos candidatos. A inspeção veicular, por exemplo, ganhou destaque no debate – e o assunto merece atenção dos gestores, indiscutivelmente. Porém, o tema passou ao largo das questões essenciais, como o impacto no combate às mudanças climáticas ou a economia gerada às contas públicas pelo alívio no sistema de saúde. Assim como nenhum dos candidatos explicou como a medida poderia ser financiada e integrada às cidades da Região Metropolitana ou do Estado.

Sempre é pertinente lembrar que, de acordo com a emenda número 30 à Lei Orgânica do Município, todo prefeito eleito é obrigado a apresentar um plano de metas em até 90 dias após a posse, para os quatro anos da gestão e para todas as regiões da cidade. E este deve contemplar as promessas proferidas durante a campanha.

Por fim, vale ainda ressaltar que a participação da ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL) e do vereador Ricardo Young (Rede) certamente ajudariam a qualificar as discussões e a valorizar o debate.

*COORDENADOR-GERAL DA REDE NOSSA SÃO PAULO E DO PROGRAMA CIDADES SUSTENTÁVEIS

(Parceria entre o Estado e a Rede Nossa São Paulo analisa as principais propostas dos candidatos à Prefeitura)

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