Ernesto Rodrigues|Estadão
Ernesto Rodrigues|Estadão

Análise: Panelaço não era só da varanda gourmet

João Doria e seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, têm muito a comemorar nos próximos dias, mas não podem se deixar enganar

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 23h58

A eleição para prefeito de São Paulo pode ser compreendida como mais um capítulo decisivo da novela iniciada no dia 8 de março de 2015, quando a então presidente Dilma Rousseff fez um pronunciamento em rede nacional de TV por ocasião do Dia da Mulher. O panelaço que naquela noite de domingo ecoou entre os vãos dos prédios da maior cidade do País era um recado claro de que uma parcela expressiva dos paulistanos havia perdido o encanto com o PT.

Descontadas as questões estritamente administrativas da capital, é possível afirmar que, em larga medida, a vitória de João Doria (PSDB) já no primeiro turno deve-se a esse sentimento antipetista que predomina em São Paulo e que lotou a avenida Paulista nos protestos.

Por isso, Doria e seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, têm muito a comemorar nos próximos dias, mas não podem se deixar enganar. O resultado da eleição também mostra que a prefeitura de São Paulo ainda é o maior moedor de reputações da política brasileira. Foi assim com Marta Suplicy, em 2004, com Gilberto Kassab, em 2012, e agora com Fernando Haddad. Todos deixaram o cargo de prefeito da capital reprovados pelo eleitor, ainda que Kassab tenha sido reeleito em 2008.

Se quiser quebrar essa escrita, Doria terá de deixar a política um pouco de lado e consolidar a imagem que projetou na campanha, a de um empreendedor avesso às “politicagens” e ligado nos problemas da cidade.

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