Análise política: Tom mais baixo para não perder eleitor

Depois do vale-tudo, repleto de ataques pessoais nos debates da semana passada, Dilma e Aécio fizeram ontem um confronto diferente e muito mais ameno. As críticas pelo baixo nível do debate passado fizeram com que petista e tucano mudassem suas estratégias e optassem por trocar perguntas e respostas sobre propostas para seus eventuais governos.

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 00h44

Obviamente, não faltaram críticas e acusações, mas as formulações foram feitas de forma muito mais suave. Sumiram expressões como “leviana”, por exemplo. No lugar, surgiram palavras muito mais leves como “o senhor é engraçado” ou “é estarrecedor”. Também não apareceram tópicos como as do debate passado, como agressão à mulheres, álcool, família, entre outros.

As críticas foram feitas de forma diferente. Aécio bateu na tecla das denúncias de irregularidades na Petrobrás, insistindo, por três vezes, se a presidente confiava no tesoureiro do PT, João Vaccari, justamente um dos acusados de receber propina pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

Dilma desviou do assunto e não respondeu. Mas ninguém perdeu a calma.

Pior: a presidente deu a impressão de ter recuado da declaração feita no sábado, quando reconheceu que houve desvio de recursos na Petrobrás. Ontem, no debate da TV Record, falou apenas de indícios de irregularidades, o que gerou a cobrança de explicações pelo adversário.

Já Dilma mirou mais uma vez os indicadores do governo de Minas Gerais, especialmente na administração de Aécio. Mas não aproveitou direito o que poderia ser uma ótima estocada no tucano, quando acusou a administração de Aécio em Minas de ter contabilizado vacinas em cavalos como gastos para a Saúde. Feita na última intervenção da presidente num dos blocos, a afirmação acabou caindo no vazio.

A presidente também aproveitou para martelar as críticas ao economista Arminio Fraga, anunciado por Aécio como seu ministro da Fazenda, insinuando que ele poderia mexer com os bancos públicos.

Sem a troca de acusações pesadas, o debate mostrou equilíbrio entre os candidatos e exibiu a clara preocupação de não aumentar a rejeição dos eleitores, aborrecidos com as baixarias na campanha. Além disso, ambos puderam começar a discutir temas que pareciam esquecidos como Saúde e Educação, ainda que abordados ainda de forma superficial. Assuntos como Cultura, Esporte, Turismo, Relações Internacionais seguiram sendo ignorados. E pontos polêmicos do primeiro turno, como as questões LGBT, sumiram completamente do mapa. A prioridade ontem era não correr riscos.

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