Análise política: Clima de Fla-Flu toma conta da tela

Dilma e Aécio fazem o debate mais pesado de toda a campanha presidencial até agora

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 00h26

Com o clima de disputa cada vez mais acirrado, a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves fizeram nesta terça-feira, 14, o debate mais pesado de toda a campanha presidencial até agora. Primeiro encontro válido pelo 2.º turno, o debate da Band colocou frente a frente, pela primeira vez, apenas dois candidatos, liberados para fazer qualquer pergunta entre si durante mais de uma hora. O resultado foi uma espécie de resumo dos 20 anos do Fla-Flu político que PT e PSDB têm protagonizado na política nacional, com troca grave de acusações, onde ambos se chamaram de levianos, mentirosos e incompetentes.

O modelo do debate, sem a participação dos candidatos eliminados do 1.º turno, deixou cara a cara os representantes dos partidos protagonistas da política nacional.

Com as pesquisas indicando empate técnico entre ambos, foi natural que o choque se desse logo de cara, a partir da primeira pergunta feita por Dilma, que criticou o desempenho da Saúde em Minas Gerais, durante o governo de Aécio, e também desenterrando a derrubada da proposta de manutenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), comandada pelos partidos de oposição no Senado.

O ponto central desse embate, entretanto, pouco focou o conteúdo dos programas. Na verdade, a pergunta feita por ambos os candidatos era basicamente uma crítica ao adversário, a resposta consistia num desmentido veemente e a réplica se transformava quase numa troca de desaforos.

Dilma procurou adotar a estratégia tradicional petista de associar Aécio ao governo de Fernando Henrique Cardoso e que os adversários nunca fizeram os programas sociais quando puderam. Já o mineiro disse que o debate parecia ser entre dois candidatos de oposição, já que a presidente prometia mudanças que não tinha feito em quatro anos de mandato. 

O resultado disso foi o aumento do conflito, que chegou ao seu auge quando Aécio acusou a presidente de ser leviana nas suas acusações. Surpreendentemente, Dilma deixou passar em branco essa fala, sem rebatê-la. Apenas no bloco seguinte, orientada pelos assessores, abriu sua participação respondendo ao ataque.

O debate levado ao ar nesta terça na Band reproduziu o estado de ânimo exaltado das duas campanhas, tão próximas do momento de definição da eleição e sem ter certeza sobre qual será o desfecho. Os próximos três debates deverão repetir o clima de guerra entre tucanos e petistas. Para eleitores convertidos, o confronto pesado pode agradar. Para os indefinidos, pode ter gerado mais dúvidas do que antes.

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