Análise: Pesquisa mostra sucessão imprevisível e emocionante

Incógnitas: a campanha negativa do PSDB contra Bolsonaro funcionará?; a transferência de votos de Lula para Haddad se intensificará?

Murillo de Aragão e Carlos Eduardo Borestein*, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 05h00

A nova pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial, a primeira realizada após as entrevistas dos principais candidatos ao Jornal Nacional e ao começo do horário eleitoral gratuito, mostra que a disputa ficou ainda mais imprevisível e emocionante.

Em que pese a liderança de Jair Bolsonaro (PSL) um pouco acima dos 20% das intenções de voto, sua alta rejeição (44%), a maior entre os candidatos ao Palácio do Planalto, dificulta sua competitividade num eventual segundo turno.

Prova disso é o fato de Bolsonaro perder para praticamente todos seus concorrentes. No melhor cenário, estaria tecnicamente empatado com Fernando Haddad (PT), numericamente à frente do petista.

Uma explicação para o crescimento de Ciro Gomes, do PDT, é sua proposta de limpar os nomes das pessoas que estão no SPC. Mesmo que tenha sido mal recebida pelos mais instruídos, uma parcela do eleitorado cedeu a ela.

Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 9%, também está tecnicamente empatado com Ciro e Marina.

Quem merece destaque é João Amoêdo (Novo), que, mesmo sem tempo de TV, tem 3% das intenções de voto, superando numericamente Henrique Meirelles (MDB) e tendo o mesmo porcentual de Alvaro Dias (Podemos).

Duas incógnitas podem mexer ainda mais no tabuleiro: 1) a campanha negativa do PSDB contra Bolsonaro funcionará?; 2) a transferência de votos de Lula para Haddad se intensificará?

A tendência é que o jogo fique mais equilibrado nas próximas semanas. Bolsonaro deve manter a liderança, mas Marina, Ciro, Alckmin e Haddad podem ficar ainda mais próximos. E Amoêdo pode embolar ainda mais o cenário.

*CIENTISTAS POLÍTICOS E ANALISTAS DA ARKO ADVICE PESQUISAS

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