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ANÁLISE: Os eleitores e os atalhos informacionais

Embora a polarização não seja uma novidade nas disputas presidenciais, o eleitorado agora está diante de uma mudança qualitativa importante

Vítor Oliveira*, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2018 | 05h00

Ao confirmar o avanço de Fernando Haddad e a estagnação de Jair Bolsonaro, a nova pesquisa Ibope aproxima os eleitores de uma decisão binária e drástica, mas em condições informacionais precárias quanto às consequências da escolha.

Em eleições, todos nós utilizamos heurísticas – que são atalhos informacionais para a tomada de decisões estratégicas complexas. Por mais racionais que sejamos, há sérias limitações em todos nós, o que pode nos levar a ignorar informações muito relevantes. É possível dizer que a ideologia e os partidos políticos representam o papel dos atalhos.

Mas no caso destas eleições, as plataformas concorrentes apelam para a ausência de legitimidade no outro e nas instituições, com consequências muito perigosas para o que é mais básico na democracia: a aceitação do resultado das urnas e dos procedimentos democráticos. Nestas condições, como projetar o dia a dia da política nacional nos próximos anos sem questionar a capacidade de ambos os líderes da pesquisa em governar?

Embora a polarização não seja uma novidade nas disputas presidenciais, o eleitor está diante de uma mudança qualitativa importante. Nos últimos 24 anos, os dois competidores líderes no plano nacional, PT e PSDB, mantiveram plataformas relativamente estáveis e distintas em relação à economia e aos costumes, facilitando o trabalho do eleitor que embarcou nos atalhos.

Estamos diante de uma disputa fora destes parâmetros, visto que parcela considerável do eleitorado encontra-se confusa, especialmente pela radicalização retórica do PT após o processo de impeachment e os paradoxos da candidatura de Bolsonaro. Descoordenados, os partidos centristas perderam a competitividade com o a concentração de votos à esquerda e à extrema direita. Ciro Gomes, cada vez mais distante da ponta, não conseguiu firmar-se como herdeiro de um arranjo reformista de esquerda, mas dentro da ordem. Órfã, restará à esta fatia do eleitorado optar pela candidatura que melhor se aproveitar dos atalhos informacionais à disposição.

*CIENTISTA POLÍTICO DA CONSULTORIA PULSO PÚBLICO

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