Análise: O simbolismo de se prender políticos no dia da República

ANÁLISE: Marcelo de Moraes

O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2013 | 02h02

Após 124 anos, o 15 de novembro volta a sacudir a política brasileira. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, não escolheu no calendário o dia da Proclamação da República para assinar a ordem de prisão para os políticos condenados no processo do mensalão. Mas não deixou passar a chance de aproveitar a data histórica para fechar o processo que enviou para a prisão alguns dos principais líderes do PT, como o ex-ministro José Dirceu, o deputado José Genoino (SP) e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, entre outros condenados.

Segundo um interlocutor de Barbosa, "ele gostaria de ter terminado tudo ainda na sexta-feira". Ele lembrou que o presidente do Supremo sempre destaca que nada faz além de cumprir a rotina de um juiz. Mas admitiu que era inegável o simbolismo da assinatura das ordens de prisão de políticos pesos-pesados no feriado da Proclamação da República.

A ordem de prisão não encerra completamente o processo do mensalão, mas liquida sua parte mais visível - políticos na cadeia. O estouro do escândalo em 2005 abalou o PT, mas poucos apostavam que poderia levar à prisão seus líderes e os de outros partidos.

Iniciado em agosto de 2012, o julgamento teve Barbosa como seu condutor principal, já que coube a ele a relatoria do caso e, em seguida, a presidência da Corte. Polêmico, foi criticado por suas posições e bateu boca com colegas. Mas ganhou popularidade ao pedir a condenação de políticos acusados de corrupção.

Para auxiliares, Barbosa afirmou ontem que não queria mais perder tempo. Acrescentou que "queria virar essa página". De fato. Decidida por ordem do Supremo, as prisões viram a página do tempo em que políticos acusados de irregularidades garantiam sua impunidade.

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