Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Análise: O peso da TV - e das redes

Covid-19 alterou completamente o percurso da disputa eleitoral de 2020

Marco Antonio Carvalho Teixeira*, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 05h00

A covid-19 alterou completamente o percurso da disputa eleitoral de 2020. As campanhas, ao lidarem com os limites impostos pelo isolamento social, se viram alijadas de comícios e eventos tradicionais das disputas políticas. Assim, candidatos com maior tempo do horário eleitoral gratuito ganharam uma enorme vantagem competitiva em relação aos demais. Os com menor acesso, mas que já faziam uso intenso das redes sociais, poderiam compensar, ao menos parcialmente, essa desvantagem na busca de votos.

As duas candidaturas que chegam à frente na capital paulista parecem ter usado muito bem essas duas possibilidades. Bruno Covas, com uma coligação de 10 partidos, teve 3m29s no horário eleitoral, 42 segundos a mais que a soma dos seus três adversários mais competitivos: Boulos, Russomanno e França. No espaço, Covas exaltou seu governo, falou de sua liderança no combate à covid-19 e evitou João Doria, com quem foi eleito vice-prefeito em 2016 e amarga alta taxa de impopularidade em terras paulistanas.

Com apenas 17 segundos no horário eleitoral, Guilherme Boulos compensou parcialmente essa fragilidade com o uso intenso das redes sociais. Se tornou o campeão de interações e também conseguiu liderar a arrecadação de fundos para a sua campanha por meio de financiamento coletivo. Foi sobretudo pelas interações em redes sociais que Boulos avançou sobre o eleitorado petista.

As pesquisas entre o início e a reta final da campanha ajudam a entender a importância do horário eleitoral e das redes sociais. Uma semana antes do início do horário eleitoral (2/10), Bruno Covas estava em 2.º lugar com 20% de intenção de voto na pesquisa Ibope. Na última sondagem do mesmo instituto (14/11), já ocupava a 1.ª posição com 38%. Boulos, tomando o mesmo período como exemplo, largou com 8%, na 3.ª posição e chega agora com 16%, numericamente em 2.º lugar.

Óbvio que existem outros fatores que contribuem no entendimento do movimento eleitoral desses dois candidatos. Mas é inegável que o isolamento social deixou os eleitores mais expostos aos meios de comunicação e as diferentes ferramentas que compõem as redes sociais.

* COORDENADOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV EAESP

 

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