ANÁLISE: Haddad precisará exibir jogo de cintura que nunca teve

Petista terá de fazer um esforço imenso para superar Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno

João Domingos, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 05h00

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, terá de fazer um esforço imenso para superar Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Um esforço que exigirá dele jogo de cintura como nunca teve em sua vida de professor, ministro, prefeito, coordenador do programa do PT, vice de um candidato que não seria candidato e, agora, finalista da corrida presidencial.

Não só porque o eleitor do capitão reformado do Exército é fiel e não mudará de ideia ao longo do caminho. Mas também porque Haddad terá de encontrar um jeito de superar obstáculos que serão postos em seu caminho pelo próprio partido, que tentará puxá-lo para a esquerda, na ilusão de que essa será a fórmula para enfrentar o candidato da extrema-direita. 

Haddad terá ainda de entender que sua chapa é estreita do ponto de vista político. Que a vice, a deputada estadual gaúcha Manuela d’Ávila, pouco agrega em termos de votos, pois o PCdoB já vota no PT. E que, em toda sua vida, o PT nunca venceu uma eleição presidencial quando não se uniu com o centro. Em 1989, com o senador José Paulo Bisol (PSB), em 1994, com Aloizio Mercadante (PT), e em 1998, com Leonel Brizola (PDT), Lula perdeu todas as eleições.

Só em 2002, quando Lula e o PT entenderam que precisavam mudar seu arco político, e foram atrás do PL (hoje PR) de Valdemar Costa Neto, é que conseguiram vencer. O vice José Alencar logo abriu caminho para o centro e, com seu charme mineiro e bonachão, atraiu os empresários. Mesmo assim, Lula teve de escrever uma “Carta ao povo brasileiro” ainda em junho, se comprometendo a não fazer loucuras na economia. E, ao vencer a eleição, foi atrás do PSDB e lhe tirou o deputado eleito Henrique Meirelles, de Goiás, tornando-o seu presidente do Banco Central. Meirelles, não é preciso dizer, deu conta do recado, controlou a inflação e ajudou a equilibrar as contas públicas. 

Portanto, o que Haddad precisa fazer o mais breve possível é um aceno para o centro, para o empresariado, para o mercado, para o brasileiro que votou em candidatos que não seguiram a onda pró-Bolsonaro. Haddad precisa ainda convencer o eleitor de que falará por si, que não é só um poste de Lula, como o foi Dilma, a presidente da República que destruiu o sonho do PT de se manter por anos e anos no poder. O brasileiro, pelo jeito, ainda não se esqueceu do desastre que foi o governo dela. Negou-lhe a vaga para o Senado, como negou para os que fizeram parte da tropa de choque de Dilma durante o processo de impeachment: Lindbergh Farias (RJ) e Vanessa Grazziotin (AM). 

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