ANÁLISE: exceção não basta

Pode-se dizer que, no Brasil, só mesmo depois do choque é que se aprende a não enfiar o dedo na tomada. A célere e resoluta produtividade do Congresso Nacional nos últimos dias é expressão acabada disto. Foi preciso que o mundo desabasse para que a sensibilidade dos parlamentares se voltasse aos problemas e anseios da sociedade. Por que não antes?

Carlos Melo,

27 Junho 2013 | 02h08

Claro, se dirá que faltava a essencial pressão social; que a população demorou a reclamar e coisa e tal. De fato, havia grande letargia; talvez por supor "que o Brasil deu certo e o futuro chegou". O Brasil é nosso, houve avanços, mas não seria para tanto! Até mesmo o razoável está distante. Coloquem-se, portanto, os pingos nos "is": sintonizado com os eleitores e com a diversidade social, o sistema político deve representar o tempo todo e não apenas reagir à fúria das ruas. A população não permanecerá eternamente mobilizada; um dia sossega ou cansa. Fundamental que as instituições funcionem cotidianamente, não apenas nos momentos de choque. Exceção não basta. Não existe sociedade em prontidão perpétua. Preocupante, então, será quando tudo voltar ao normal. As coisas precisarão se assentar de um outro modo.

* CARLOS MELO É CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR DO INSPER

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