Análise: estrutura vertical de comando não permite autonomia do povo

O Dia Nacional de Lutas também pode ser entendido como uma tentativa de resposta de entidades sindicais, MST e UNE ao Movimento Passe Livre que no mês de junho liderou mobilizações públicas em torno de reivindicações como: redução das tarifas de transporte público, melhoria das políticas públicas e reforma no sistema político, dentre outras, sem que fosse necessário contar tanto com essas entidades como com os partidos políticos no comando de tais manifestações.

Marco Antonio Carvalho Teixeira,

12 de julho de 2013 | 02h09

Contrastando com o contingente de pessoas que foi às ruas em junho, o nível de mobilização alcançado pelo Dia Nacional de Lutas ficou muito aquém do esperado pelos seus organizadores, que antes propagavam a ideia de que em 11 de julho ocorreria uma greve geral no País.

O que poderia explicar tal fracasso? Uma possível resposta está na própria forma de organização e condução da manifestação. Comandado por políticos e líderes sindicais com vínculos a diferentes partidos no momento em que a classe política sofre de um extremo grau de desconfiança social, o Dia Nacional de Lutas se caracterizou por trazer pautas já conhecidas e por uma estrutura vertical de comando que não permitiu a autonomia de manifestação das pessoas, não as tratando como protagonistas nesse processo. Desse modo, ao não incluir diversos segmentos sociais, ficou a impressão de que o alcance dessa mobilização se resumiu à base de atuação das entidades que a organizaram.

Como a pauta apresentada tem dimensão nacional, resta uma pergunta: quais as implicações para Dilma Rousseff em 2014, uma vez que parte das entidades sindicais apoia seu governo? A resposta parece simples. Como as questões ligadas ao aumento de investimentos em educação e saúde já avançaram, o risco maior está em se tratar, agora, de temas que nenhum governo gostaria de enfrentar em momentos de aperto fiscal: o fim do fator previdenciário e o aumento para os aposentados.

Se essas questões forem mal encaminhadas, mesmo estando no Ministério do Trabalho, é provável que a Força Sindical e o próprio PDT caiam nos braços da oposição.

 

* MARCO ANTONIO CARVALHO TEIXEIRA É CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-SP

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