ANÁLISE: Derrota em BH seria novo revés para Aécio

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Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 22h35

A primeira eleição pós-impeachment de Dilma Rousseff consagra o PSDB, beneficiário imediato de anos de polarização com o PT. Paradoxalmente, no entanto, o partido vive o nervosismo de se ver tragado pela Lava Jato e se vê às voltas, de novo, com uma disputa interna para definir seu candidato à Presidência em 2018.

Geraldo Alckmin foi o grande vencedor do primeiro turno da corrida municipal e deve terminar de arrastar as fichas hoje. Os tucanos devem desbancar o PT no seu berço, o Grande ABC, e aliados do governador devem sair vencedores em todos os cantos do Estado onde há segundo turno.

O PT, que já tinha sido varrido do mapa na primeira fase da disputa, não terá melhor sina hoje. O emblema da derrota petista foi a declaração dada por Paulo Okamotto durante a semana de que Lula não vai votar. Em casa, o outrora incontestável maior líder do País não só não tem candidato como virou uma espécie de repelente – os dois candidatos que disputam o lugar do petista Luiz Marinho fizeram uma espécie de campeonato de quem era mais anti-PT.

A virada na campanha em Belo Horizonte, onde Alexandre Kalil pode vencer o tucano João Leite, deixa Aécio Neves em uma situação complicada. O tucano só não foi presidente em 2014 porque não venceu em sua Minas Gerais. Além disso, seu candidato ao governo perdeu para o petista Fernando Pimentel. O fato de o presidente do PSDB não vencer de novo “em casa” mostra seu desgaste, fruto de meses de especulações sobre se será ou não citado em delações da Lava Jato. Num sinal claro de que expectativa de poder torna até as pessoas carismáticas, mesmo a unanimidade em torno de Aécio nas instâncias internas do PSDB – como diretório e bancadas no Congresso – já está sendo relativizada desde o primeiro turno. 

O novo revés forçará Aécio a se reposicionar se quiser continuar sendo um presidenciável viável. 

Algumas escolhas logo no começo de 2017 devem ser novos campos de disputa entre ele e Alckmin: a presidência da Câmara, as lideranças das bancadas do PSDB na Câmara e no Senado e a própria presidência do partido.

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