Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Análise: Contraposição a Bolsonaro e PT dá o tom de debate presidencial

Candidatos à Presidência da República se preocuparam apenas em se viabilizar como a terceira via

Luiz Bueno*, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2018 | 20h59

O debate promovido por UOL/Folha/SBT teve mais uma vez a ausência de Jair Bolsonaro devido à recuperação hospitalar do ataque à faca de que foi vítima. Cada candidato posicionado abaixo de Bolsonaro e Fernando Haddad nas pesquisas tentou se firmar como o mais viável em contraposição aos dois. Mas o debate novamente não teve grandes emoções.

Bolsonaro não foi citado nominalmente pelos presentes durante o debate, sendo nomeado apenas pelo mediador, Carlos Nascimento, ao início de cada bloco. Mas os presentes não deixaram de desferir seus ataques contra ele: Alckmin se referiu ao "candidato da intolerância", enquanto Ciro Gomes apontou o problema da polarização política e do comportamento “odiento". Já Marina dirigiu-se constantemente ao eleitorado feminino, considerado um dos pontos fracos da campanha de Bolsonaro, e Meirelles insistiu que tem propostas concretas. 

Os argumentos do antipetismo surgiram fortes. Alckmin, como tem sido a tônica de sua campanha, atacou o PT responsabilizando-o pelo desemprego atual e pela crise econômica, apontando também a participação de Meirelles nos governos do PT. Ciro disse que, se puder, preferirá "governar sem o PT", apesar de saber que precisará fazer coligações para tocar o governo.

Marina atacou diretamente a candidatura de Haddad e o PT apontando que estes, juntamente com o PSDB e PMDB, destruíram a credibilidade do País. Haddad tentou atribuir à Marina a responsabilidade por Michel Temer. A candidata retrucou mostrando que Temer foi trazido pelo PT ao poder.

Marina parece ter trazido à tona a mágoa pela campanha de 2014 em que foi violentamente atacada pela campanha petista. Alvaro Dias não fez ataques a Bolsonaro mas foi contundente ao dizer que queria evitar o retorno do que chamou de "organização criminosa”, referindo-se a um “rastro de sangue” que remontaria à morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Os candidatos pouco falaram de como pretendem viabilizar economicamente seus planos de governo. Todos se preocuparam apenas em mostrar suas candidaturas como a terceira via, a melhor opção para receber o voto útil dos eleitores que rejeitam tanto Bolsonaro quanto Haddad.

*Luiz Bueno é professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) 

 

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