Análise: Como o setor público pode jogar a favor do empreendedorismo

É fundamental adotar um amplo processo de desburocratização, simplificação e transparência para tornar mais competitiva a economia brasileira

Tadeu Barros *, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 05h00

Tocar um negócio sozinho pode parecer desafiador, mas essa tem sido a escolha de uma parcela considerável de empresárias e empresários brasileiros. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), aproximadamente 25% da população adulta está envolvida na abertura de um novo empreendimento ou com um negócio que tenha até 3,5 anos de atividade. Estima-se que, com a crise causada pela covid-19, este número deve aumentar. 

O empreendedorismo é a receita de sucesso para o crescimento econômico e geração de emprego e renda em vários países desenvolvidos. Todavia, para que isso funcione o Estado precisa ajudar! A burocracia em excesso gera custos estratosféricos para todos os envolvidos: empresas, sociedade e para o próprio governo. É fundamental adotar um amplo processo de desburocratização, simplificação e transparência para tornar mais competitiva a economia brasileira. Para isso, é essencial trazer a inovação como base para essa virada de chave.

Implementar ferramentas inovadoras no setor público significa prestar serviços básicos de qualidade à população. A inovação deve deixar de ser apenas um clichê ou palavra “sexy” no discurso dos gestores, para realmente cumprir com a missão básica de uma gestão inovadora: reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a jornada do cliente/cidadão. Em Itaboraí, no Rio de Janeiro, a vinda do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) fez a cidade vivenciar aumento significativo da população e do mercado imobiliário atraídos pelos investimentos da refinaria. A solução para melhorar o ambiente de negócios foi a criação do Centro do Empreendedor, que aproximou a gestão pública dos cidadãos para entender suas dores e, consequentemente, melhorou as políticas públicas impactando positivamente na dinâmica do município. 

Foi assim também com o projeto ‘Visão 360’, da servidora Larissa Marco, abriu portas para o debate com os cidadãos de forma transparente na cidade de Osasco. A partir de políticas de dados abertos e da demonstração de maneira mais acessível dos projetos da cidade, o ‘Visao 360’ se tornou referência – interna e externamente – no acompanhamento dos projetos do governo, por meio de mídias impressas e digitais, outdoors e campanha televisiva. Assim, a população consegue desempenhar mais fácil seu papel de fiscalizadora das ações do governo e propor de forma mais assertiva as suas maiores necessidades.

Governos que exigem muito e oferecem pouco limitam o crescimento econômico e social que os empreendimentos podem gerar. Por isso que o CLP (Centro de Liderança Pública) acredita no desenvolvimento de servidores para tornar a administração pública mais competitiva e capaz de buscar soluções para problemas complexos. Assim, torna-se essencial a seleção de prioridades e uma gestão que se oriente para dados e metodologias a fim de melhorar o desenvolvimento econômico local, gerando mais emprego e renda para a população.

* É DIRETOR DE OPERAÇÕES DO CLP (CENTRO DE LIDERANÇA PÚBLICA)

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