Análise: Candidatos têm de se contentar com voo solo

A presença de oito candidatos e as regras estabelecidas para o debate da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acabaram impedindo que os três principais postulantes à Presidência da República pudessem fazer qualquer pergunta entre si.

Marcelo de Moraes, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2014 | 01h10

Sem chance de fazer confronto direto entre si, a presidente Dilma Rousseff, a ex-ministra Marina Silva e o senador Aécio Neves tiveram de se resignar a aproveitar o espaço disponível para fazer uma espécie de voo solo e apresentar suas ideias, por diversas vezes independentemente da pergunta que lhes foi feita.

Assim, Dilma aproveitou para bater bumbo com o resultado divulgado pela ONU sobre a melhora da situação do Brasil no Mapa da Fome e tentou estocar Marina falando sobre a importância de o Banco Central não ser autônomo.

Já Marina abriu sua participação prometendo assentar 85 mil famílias com a reforma agrária, exatamente um dia depois de João Pedro Stedile, um dos líderes do MST, ter declarado apoio a Dilma e prometer colocar os sem-terra para protestar nas ruas todos os dias caso a ex-ministra do Meio Ambiente seja eleita.

Aécio também não perdeu a chance de associar Dilma ao escândalo da Petrobrás, favorecido por uma pergunta feita pelo Pastor Everaldo, que trouxe o tema para o debate. Por conta disso, acabou provocando reação de Dilma que pediu e foi atendida no direito de resposta por se considerar ofendida com os ataques.

E mais calor ainda surgiu quando o tucano acusou a candidata do PSOL, Luciana Genro, de funcionar como linha auxiliar do PT e de Dilma. A resposta de Luciana foi duríssima: “Linha auxiliar é uma ova”, atacou, garantindo outro direito de resposta para Aécio e dando a impressão de um debate acalorado, em que nenhum dos principais candidatos entrou em combate direto com seus adversários reais.

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