REUTERS/Leonardo Benassatto
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Análise: Campanha de Bolsonaro já fala em vitória no 1º turno das eleições

'É algo difícil, mas não impossível. Quanto a Haddad, a ele resta repetir e repetir que, se eleito, fará um governo igual ao de Lula', analisa João Domingos

João Domingos, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2018 | 10h52

O crescimento das intenções de votos em Jair Bolsonaro, a delação do ex-ministro Antonio Palocci, que atinge diretamente Lula, as campanhas que elegeram Dilma Rousseff e o coração do PT, e as recentes declarações do ex-ministro José Dirceu - tudo isso na boca das eleições 2018 -, animaram os partidário do capitão reformado a trabalhar para que a disputa seja resolvida no primeiro turno. É algo difícil, mas não impossível.

Conforme a pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo divulgada na segunda-feira, 1º, à noite, Bolsonaro subiu 4 pontos porcentuais, chegando a 31% das intenções de voto. Fernando Haddad (PT) ficou estacionado em 21%, uma diferença de 10 pontos entre um e outro.

A favor de Bolsonaro nesse momento crucial da campanha somam-se vários fatores. Um deles é o desgaste que a delação de Palocci certamente vai levar a Lula, principal cabo eleitoral de Haddad. Disse o ex-ministro que Lula sabia de todo o esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás, o pré-sal, a arrecadação para as campanhas de 2010 e 2014, que teria chegado à espantosa casa de R$ 1,4 bilhão. Isso é ouro nas mãos da campanha de Bolsonaro, campanha que se espalha feito praga pelas redes sociais.

Outro fator a favor do candidato do PSL é o que permite, mais uma vez, e com notícias quentinhas, ligar o PT à roubalheira descoberta pela Operação Lava Jato.

Um terceiro são as recentes declarações do ex-ministro José Dirceu, de que o PT tomará o poder, que ordenará um cerco ao Congresso e ao Judiciário para fazer reformas que lhe interessam, que é preciso conter os poderes do Ministério Público e do STF. Parece até que foram encomendadas por Bolsonaro, tal o poder letal para a campanha de Haddad que essas falas carregam.

Quanto a Haddad, a ele resta repetir e repetir que, se eleito, fará um governo igual ao de Lula.

O problema é que, com o passar do tempo, e com o envolvimento do PT e de seus principais dirigentes em irregularidades cabeludas, as administrações petistas ficaram vulneráveis a ataques. Tanto é que o eleitorado hoje quase todo se divide entre os que são a favor do PT e os anti-PT. É nisso que Bolsonaro aposta.

* Análise de João Domingos publicada às 9h no Análise Política, serviço do Broadcast Político.

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