KELLY FUZARO/BAND
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Análise: Busca por identidade e foco nos favoritos dão o tom do debate em SP

Capital teve primeiro debate entre candidatos à Prefeitura nesta quinta-feira, 1º

Rafael Cortez*, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 01h13

O primeiro debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo anuncia ao público mais amplo o início da campanha eleitoral. A política sai das negociações de bastidores e ganha as ruas (ou as redes sociais por conta da pandemia). De todo modo, os candidatos se apresentam ao eleitor e buscam construir a identidade das candidaturas e seu posicionamento estratégico em um cenário bastante fragmentado, resultado da proibição das coligações eleitorais nas eleições legislativas e de um sistema partidário em transição.

Em boa medida, o debate seguiu o script esperado: os primeiros colocados das pesquisas aparecem como alvos prioritário dos demais concorrentes. Assim, Celso Russomano (Republicanos) e o prefeito Bruno Covas (PSDB) serviram como polo de atração do debate.

A disputa eleitoral começa com características principais: 1) tentativa de nacionalização da campanha; 2) destaque para a pandemia e 3) críticas à atual administração. As referências aos líderes Bolsonaro e Doria; O cardápio à disposição do eleitorado é generoso. Tem candidato antipolítico e a antítese paz e amor. Amigo e opositor ao presidente. Liberal, conservador e progressista.

Em uma campanha com restrições ao “corpo ao corpo”, os debates servem para construção de material que será repercutido na mídia tradicional e nas redes sociais. A busca por rótulos e por apoio esconde, mas não anula o debate sobre políticas públicas. Aos poucos, Tal fragmentação dificulta, mas não anula o debate sobre política pública. A excepcionalidade das medidas em meio à pandemia deve trazer destaque para a eleição local, para além dos alinhamentos entre a elite política.

*Rafael Cortez – Doutor em Ciência Política (USP) e sócio da Tendências Consultoria

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