Adriano Machado e Rodolfo Buhrer/Reuters
Adriano Machado e Rodolfo Buhrer/Reuters

Análise: Bolsonaro não é só teflon, é um paredão de tênis até agora

Quanto mais forte a raquetada contra ele, mais rápida e com mais força a bola volta na direção do tenista em formato de aumento de rejeição

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2018 | 11h31

Fernando Haddad está perdido no labirinto que no primeiro turno aprisionou o tucano Geraldo Alckmin. Neste segundo turno, quanto mais a campanha do candidato do PT procura uma saída para reverter seu fraco desempenho nas pesquisas, mais desnorteada parece ficar a cada divulgação de resultado.

No tempo em que Haddad tratava o capitão reformado como se ele não fosse problema do PT,  a campanha do então candidato do PSDB atacava Bolsonaro com afinco e esperava ansiosamente a divulgação das pesquisas num clima de “agora, vai”. Mas o que vinha já é conhecido por todos: o candidato do PSL melhorava seu desempenho enquanto Alckmin permanecia estagnado e, várias vezes, via sua rejeição aumentar.

Foi exatamente o que ocorreu até agora neste segundo turno conforme mostra a mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo. Na sexta-feira, Haddad abriu sua propaganda de rádio e televisão com as travas da chuteira na canela de Bolsonaro. O resultado, no entanto, foi o aumento da rejeição ao petista (47%) e o fortalecimento de seu adversário.

Por isso, antes de tentar montar sua “frente democrática” (o que chega a parecer uma piada na boca de um partido que sempre trabalhou para ser hegemônico), o PT talvez precise montar uma frente de marqueteiros, pesquiseiros e todos os “ólogos” que analisam a política e as campanhas eleitorais. Bolsonaro parece não ser apenas um “candidato teflon”, aquele em que as carradas de lama atiradas por adversários jamais grudam. Bolsonaro está mais para um paredão de tênis: quanto mais forte a raquetada contra ele, mais rápida e com mais força a bola volta na direção do tenista em formato de aumento de rejeição.

Uma explicação para esse fenômeno eleitoral pode ser o fato de que os ataques partiram até agora sobretudo da dupla de partidos PSDB-PT, que tiveram décadas para renovar as práticas políticas no Brasil, mas apareceram abraçados aos desvios apontados pelas listas da Odebrecht e da JBS, entre outros escândalos recentes.

É trágico para a democracia ver uma das campanhas eleitorais deste segundo turno, a de Bolsonaro, se reduzir a uma coleção de “lives” de Facebook e de outras postagens de redes sociais, monólogos vazios e sem chance para o contraditório. Antes de culpar o eleitor, contudo, é preciso aceitar que a legitimidade do PT, do PSDB, do MDB e de outros partidos ruiu junto com as estratégias de marquetagem e de “desconstrução” que tanto sucesso fizeram em outras campanhas (muitas bancadas via caixa dois eleitoral).

Como mostram as pesquisas, parcela significativa dos brasileiros enxerga nos ataques de PT e PSDB a Bolsonaro uma espécie de comprovação, uma legitimação, de que o capitão reformado é mesmo a antítese de “tudo o que está aí”. Conforme o andar da carruagem até agora, tucanos e petistas serão iguais também na desgraça de terem sido massacrados por um candidato sem propostas claras e sem experiência administrativa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.