FABIO MOTTA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO
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ANÁLISE: Bolsonaro cresce mesmo após ‘jabuticaba’ do vice

Quem já havia apostado que o candidato do PSL tinha chegado ao seu teto, enganou-se

Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2018 | 05h00

A pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, 1.º, apresenta um cenário melhor, nestas projeções, para Bolsonaro, que saiu de 27% para 31%, ou seja, quem já havia apostado que tinha chegado ao seu teto, enganou-se. Mais ainda: foi o maior aumento desde o ataque sofrido e, ainda, não houve impacto negativo das declarações, por exemplo, de seu vice que fez críticas ao 13.º salário e as férias do trabalhador brasileiro. Essa “jabuticaba” foi bem doce para ambos. Outros apostaram que, nesse momento, Haddad já estaria bem próximo de Bolsonaro. Assim, Haddad na rodada anterior estava com 21% e manteve esse índice. No que se pode depreender, ambos, Bolsonaro e Haddad, rumam para o segundo turno.

Marina só fez cair e Alckmin e Ciro encontram-se, dentro da margem de erro, empatados. No segundo turno, entre Bolsonaro e Haddad onde antes havia vitória de Haddad, hoje, há um empate de 42% para cada um, mas com Bolsonaro subindo de 38% para 42% e Haddad mantendo esse porcentual. Em tela as rejeições de ambos: Bolsonaro mantém sua rejeição em torno 44% e, surpreende, no caso do petista que saiu de 27% para 38% de rejeição, isto é, tornou-se mais conhecido e, ao mesmo tempo, mais rejeitado como candidato do PT e de Lula.

Pouco provável que Ciro ou Alckmin, a não ser que contem com fato bombástico que mexa com a opinião pública e com o eleitorado, consigam chegar no segundo turno. E, num segundo turno, com Bolsonaro e Haddad nada está definido e tudo vai depender das alianças, apoios e das formas com que ambos conduzirão suas campanhas. Quem trará mais apoios: o bolsonarismo ou o lulismo? Veremos, em breve.

* CIENTISTA SOCIAL E DOUTOR EM SOCIOLOGIA, É PROFESSOR E PESQUISADOR DO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO MACKENZIE

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