Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Análise: Baixa rejeição pode ser fator decisivo para Skaf

Doria mantém patamares de rejeição que exibia em abril, emedebista se aproveita do fato de não ter ocupado cargos eletivos

Luiz Bueno, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 05h00

A pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo de intenção de voto divulgada nesta segunda-feira, 10, aponta uma manutenção na preferência do eleitor paulista entre os dois candidatos de centro-direita, Paulo Skaf, do MDB, e João Doria, do PSDB, se comparada com a pesquisa anterior, de 20 de agosto.

Esta manutenção parece indicar uma certa semelhança nos discursos e propostas dos dois candidatos, que de alguma forma tocam o interesse dos eleitores paulistas, que tendem a ser mais conservadores, no sentido de, majoritariamente, não apoiarem propostas que sugiram mudanças radicais no funcionamento geral do Estado, como demonstra o desempenho em pesquisas dos partidos mais à esquerda no espectro político, caso do atual governador do Estado, Márcio França, do PSB, em terceiro lugar com apenas 8%, e mesmo de Luiz Marinho, do PT, em quarto lugar com 5%.

Mas, há um dado que chamará a atenção dos coordenadores de campanha dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas: a rejeição. João Doria se mantém, grosso modo, nos mesmos patamares que exibia antes mesmo de se iniciarem as campanhas políticas. Em abril, a rejeição a Doria era de 33%, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 16 de abril. Por outro lado, Paulo Skaf, à época apresentava uma rejeição de 34%, em agosto caiu para 23 e, na pesquisa de hoje, chega a 16%.

Este dado pode indicar que algo está dando resultado na campanha do emedebista. Se os discursos com propostas vagas de gestão eficiente do Estado são próximos entre si, a imagem pública de ambos vem mostrando alguma diferenciação. Em uma disputa em segundo turno, a rejeição baixa pode ser o fator decisivo na contagem final dos votos.

Doria arrasta o problema de sua rejeição ter subido muito após a renúncia ao governo municipal de São Paulo. O fator novidade, que o catapultou nas eleições municipais, já não tem mais a força que teve. Já Skaf, que se apoia em sua gestão no Sistema-S, que, sabe-se, não sofre da escassez de verbas que assola outras instâncias do Estado, parece se aproveitar da sua ausência em cargos eletivos para capitalizar a baixa rejeição, mais derivada do desconhecimento do eleitor com relação ao candidato, do que propriamente de algum notório ou importante diferencial.

* PROFESSOR DE FILOSOFIA NA FAAP-SP

 

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