Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

ANÁLISE: Alckmin joga com o regulamento

Presidenciável do PSDB aposta nos pilares da política tradicional para ganhar eleições e deixou para trás uma conhecida característica sua: a de jogar parado

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2018 | 08h12

Desde o início de sua segunda caminhada para tentar chegar ao Planalto, Geraldo Alckmin apostou nos pilares que vigoraram na política brasileira até aqui: estrutura partidária e política faz diferença; grandes alianças asseguram grande tempo de TV, e isso é importante; e a definição das chances de cada um só se dá depois do início oficial da campanha.

Por ora, ele vai conseguindo confirmar uma a uma de suas convicções, repetidas à exaustão naquele tom paciente à imprensa e a potenciais aliados, a princípio céticos, mas que acabaram por caminhar em sua direção nesta semana.

Para fechar em torno de si o apoio do Centrão —agora dá para usar a terminologia do grupo que se ergueu em torno da liderança de Eduardo Cunha, pois é praticamente o mesmo, apenas trocando o comando do MDB pelo do PSDB— Alckmin deixou uma de suas características: a de jogar parado. 

O ex-governador de São Paulo viu a possibilidade de o grupo fechar com Ciro Gomes (PDT) e se dedicou exclusivamente a conversas com seus expoentes nos últimos dias. Foi decisiva a interferência junto a Valdemar Costa Neto, “dono" do PR, que entrou por último no bloco, mas teve papel decisivo e vai indicar o vice, Josué Gomes.

A aposta numa ampla aliança com partidos com imagem desgastada perante o eleitor por escândalos de corrupção é a única estratégia que Alckmin poderia adotar: integrante do PSDB, que juntamente com o PT exerce a hegemonia política no País desde 1994, ele tinha de tentar juntar em torno de si as grandes legendas para manter essa posição, ameaçada pelo desgaste que as duas siglas sofreram com a Lava Jato.

A operação, aliás, é o componente novo que vai determinar se a aposta de Alckmin num jogo usando o regulamento ainda é capaz de assegurar a vitória na disputa presidencial brasileira. 

Neste caso, a força de uma coligação que lhe assegura 43% do tempo de propaganda na TV, quase 3.000 prefeitos e 277 deputados federais seria capaz, no entendimento de Alckmin, de superar o estrago causado pelas acusações contra Aécio Neves, réu por corrupção, e outras acusações.

É uma estratégia que vai na contramão da de Jair Bolsonaro, que por ora lidera as pesquisas com base em um discurso de “outsider” (mesmo sendo político com mandato há décadas), com forte apelo nas redes sociais em detrimento da TV e sem nenhuma aliança.

O próximo indicador a ser buscado pelos aliados agora convertidos ao alckmismo será os índices nas pesquisas. Mas todos reconhecem que vai demorar para que a grande aliança se traduza em crescimento nas intenções de voto. Isso só deve se mostrar eficiente ou não depois do início da propaganda na TV, em 25 de agosto. 

Até lá, a aposta de Alckmin será crescer em São Paulo, Estado que governou por quatro mandatos, colando sua campanha à de João Doria Jr. —operação agora facilitada pelo fato de ambos terem um apoio partidário robusto, e praticamente com as mesmas siglas.

 

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