Análise: A incerta mistura de 'crentes' com 'sonháticos'

Em 2010, Marina Silva encantou eleitores jovens e engajados na causa ambientalista, mas não deve a eles seu desempenho na reta final do primeiro turno. A "onda verde" que deu à então candidata do PV 19,6 milhões de votos foi, de fato, uma onda cristã.

Daniel Bramatti - O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2013 | 02h10

Na pesquisa Ibope da véspera da eleição, Marina aparecia com 20% dos votos dos evangélicos, com tendência de crescimento, enquanto Dilma Rousseff encolhia - havia perdido sete pontos porcentuais nesse segmento em uma semana, em meio a uma polêmica sobre sua posição em relação ao aborto.

Não é possível saber com certeza o peso da fé no dia da eleição, pois a pesquisa de boca de urna não identificou a religião dos entrevistados. Mas o mapa eleitoral foi revelador: Marina se saiu melhor onde havia mais evangélicos.

Fora do PV e em fase de preparação para 2014, a ex-senadora tenta repetir na sua Rede Sustentabilidade o feito de colocar sob o mesmo teto os dois grupos bem distintos que lhe deram apoio em 2010. Os "sonháticos" das redes sociais e os chamados crentes não circulam pelos mesmos lugares e veem o mundo de forma muito diferente - mas Marina sonha em construir um partido com as duas turmas, ao buscar adesões no Twitter e na porta das igrejas.

É receita para conflito - como mostra a controvérsia em torno do pastor e deputado Marcos Feliciano. A turma do arco-íris vê como uma manifestação das trevas as declarações do parlamentar em favor da "cura" dos gays. Ao dizer que é Feliciano a vítima de preconceito - e ao sugerir que direitos de minorias sejam decididos em plebiscito, forma de consulta que consagra justamente a voz da maioria -, Marina interrompe o sonho da parte de sua base que vê na política um caminho para modernizar a sociedade.

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