Análise: A estratégia da busca da transformação

Os Projetos Estratégicos do Exército Brasileiro se justificam, mas ainda há coisas por resolver. Haverá a necessidade de impulsionar a sofisticação cognitiva dos oficiais para enfrentarem problemas mais complexos, de natureza distinta dos atualmente existentes, emergentes em dinâmicas multiagências, com informações imperfeitas, em tempo comprimido.

Salvador Raza *, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h09

A ambição de transformação do Exército exige a transformação do soldado, mas também exige suprir os meios básicos de sustentação, manutenção, gestão e operação da Força. Para isso, há necessidade de se conectar as iniciativas estratégicas do Exército com as da Marinha e da Força Aérea em um único Projeto de Força, principalmente em termos do alinhamento das métricas de desempenho, da construção da matriz do Plano Reitor (relacionamentos cruzados entre a estrutura funcional e a topologia de recursos que constroem dinamicamente as capacidades), e da estruturação da Plataforma da Sistemática de Gestão de Alto Nível (SIGAN). Essa última é particularmente importante para que se possa integrar a gestão de espaços de combate, a gestão da Força, e a gestão dos ciclos de capacidades sob novs patamares de efetividade.

O Exército terá ainda que desenvolver novas práticas contratuais, com arquiteturas financeiras e de gestão de contratos de muito maior sofisticação, criando compensações do fator de imaturidade tecnológica sempre presente no início do desenvolvimento de projetos complexos, sob novos protocolos e padrões de auditoria estratégica das políticas setoriais.

O Exército precisa finalmente manter prioridades estáveis. A geração atual teve a coragem de ousar transformar a Força, as futuras terão a responsabilidade de fazer da transformação algo efetivo, útil e duradouro.

*Salvador Raza é diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança e professor da Defense University, em Washington.

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