Amaral declara apoio à Dilma e aliado sugere que deixe o PSB

Ex-presidente do partido discorda de alinhamento com Aécio Neves e o PSDB; Delgado afirma que falta clima para continuidade

Daiene Cardoso e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 20h18

O ex-presidente do PSB Roberto Amaral reuniu-se, na noite de segunda-feira, com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Alvorada. Amaral declarou seu voto à petista, mesmo contra a decisão do seu partido, que decidiu apoiar o tucano Aécio Neves. "Foi uma conversa de velhos e queridos amigos, quando eu renovei meu apoio à candidatura dela", declarou Amaral, avisando que não tratou com a presidente sobre a situação de seu partido, o PSB, ou sobre partidos em geral, "porque não cabia".

Amaral, que foi ministro da Ciência e Tecnologia do governo Luiz Inácio Lula da Silva ao mesmo tempo em que Dilma era ministra da Casa Civil, disse que vai "pedir voto" para ela em viagens que fará ao Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro, nos próximos dias. "Vou pedir voto para ela onde eu puder", declarou o ex-ministro, ao comentar que encontrou a presidente "com ânimo maravilhoso". Dilma, ontem, por sua vez, criticou a adesão do PSB a Aécio neves, dizendo que Miguel Arraes não concordaria com isso. Amaral não quis falar de seu futuro político, acrescentando apenas que "estava tranquilo".

Mais tarde, quando o Estado o procurou novamente, em razão das declarações do presidente do diretório estadual do PSB em Minas Gerais, deputado Júlio Delgado, que disse que Amaral, pela sua posição, não tem condições de permanecer no PSB, Roberto Amaral se irritou e limitou-se a responder: "eu não respondo a porta-voz". Amaral não quis falar sequer do que pretende do seu futuro político e apenas repetiu que não iria comentar o assunto.

Jantar. Ainda na noite de segunda-feira, depois de se encontrar com a presidente Dilma, Amaral foi jantar com o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, que, segundo ele, lhe apresentou dados "animadores" dos trackings da campanha em relação à presidente. "Mesmo depois do final da campanha do primeiro turno, das denúncias envolvendo a Petrobrás e do apoio da Marina Silva, ela ainda se conservava à frente de Aécio Neves. Isso é motivo de comemoração", observou.

Amaral citou ainda que a animação com a campanha aumentou com a divulgação da pesquisa Vox Populi, na noite de ontem, mostrando que a presidente Dilma tem 51% das intenções de voto, contra 49% de Aécio Neves. "Ela ainda está na frente com tudo isso. É muito bom", comemorou.

Nova casa. Mais cedo, o presidente do diretório do PSB mineiro, deputado Júlio Delgado, defendeu a saída de Roberto Amaral da sigla. Após o ex-presidente ter condenando o apoio do PSB ao candidato do PSDB à Presidência da República, o deputado disse que Amaral está "sem clima nenhum" para permanecer na legenda.

"Não tem o menor clima dele continuar no partido", afirmou Delgado. Delgado disse que ninguém vai expulsar Amaral do partido, mas que é chegada a hora do ex-dirigente se desfiliar. Amaral se recusou a comentar a declaração do deputado. "Eu não respondo a porta-voz", disse.

Em artigo publicado hoje no jornal "Folha de S.Paulo", Amaral diz que a aliança com o tucano renega os compromissos estatutários e programáticos do partido, além de jogar pela janela sua história. "Ora, ao dar apoio a Aécio Neves, o PSB resolveu se aliar à social-democracia de direita, abandonando o campo da esquerda", escreveu o ex-presidente da sigla. Ontem, Amaral foi substituído por Carlos Siqueira no comando do PSB.

Segundo Delgado, a nova direção da legenda trabalha para apaziguar as dissidências e que prova disso é incorporação na nova composição da Executiva dos pessebistas que votaram contra o apoio a Aécio, como os senadores João Capiberibe (AP) e Lídice da Mata (BA).

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