Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Alvaro Dias fala em barrar indicações partidárias em eventual governo

Em sabatina 'Estadão-FAAP', presidenciável do Podemos diz que sua administração seria 'suprapartidária' e ministros seriam escolhidos só pelo chefe de Estado

O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2018 | 10h47

O candidato à Presidência pelo Podemos, o senador Alvaro Dias, defendeu o fim do "presidencialismo de coalização" e prometeu convocar apenas ministros com base em competência técnica em detrimento às indicações partidárias. O posicionamento de Dias ocorreu durante a primeira sabatina Estadão-Faap com os Presidenciáveis, na manhã desta segunda-feira, 27.  O senador do Podemos disse ainda que avalia flexibilizar acesso da população a armas de fogo, e propôs maior patrulhamento das fronteiras e uma "frente" no combate às drogas. 

"Teríamos que celebrar um pacto nacional de governabilidade. A mudança no sistema se desenha quando convoca os ministros. Que ministros? Indicados pelas siglas que se juntam numa Arca de Noé? Ou os ministros escolhidos pela capacidade técnica?", questionou Dias.

Para o candidato, é necessária uma "refundação da República", em que funcionaria um "governo suprapartidário" em vez de uma coalização com partidos aliados ao presidente. "A população aprova o modelo da qualificação técnica, do saneamento financeiro, das reformas para que recursos sejam aplicados em benefício da população". O presidenciável reforçou a promessa de convocar ministros apenas com base em competência técnica. "Acredito que o Congresso vai dançar a música que toca a Presidência." 

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A promessa foi questionada pelos entrevistadores. Marcelo de Moraes, do BR18, questionou se é possível evitar o toma-lá-dá-cá com um governo que tem apenas 17 deputados e 5 senadores. Andreza Matais, da Coluna do Estadão, perguntou como Dias faria para manter a governabilidade e aprovar reformas sem ceder ao Congresso quando pressionado por cargos no governo. 

Assista a sabatina

Economia

Com a promessa de criar 10 milhões de empregos em quatro anos, Dias desconversou sobre a formação de sua equipe econômica e não respondeu especificamente sobre quem seria escolhido para o ministério da Fazenda. Há algumas semanas, o candidato fez um convite público ao juiz Sergio Moro para o Ministério da Justiça de seu governo, que reiterou durante a sabatina. Ele citou ainda os nomes de Modesto Carvalhosa e Miguel Reale Júnior, que também fariam parte de seu governo, se eleito. 

"O convite foi feito e não será retirado. Eu anunciei porque posso fazer isso. Os outros candidatos, não", disse após ser questionado sobre a indicação de Moro. 

Sobre geração de empregos, o candidato diz que o ajuste fiscal e o aumento dos investimentos são fundamentais para isso, e defende a desburocratização do sistema econômico, dando como exemplo um maior dinamismo na obtenção do CNPJ para as empresas. "Com a reforma tributária, a roda da economia vai girar com mais força", disse.

Crítica 

O senador Alvaro Dias abriu a sabatina dizendo que as eleições 2018 são a "campanha mais desonesta, injusta e antidemocrática da nossa história". Segundo ele, a legislação eleitoral serve aos interesses "do status quo, do establishment". Para o senador, a reforma política deve servir de "matriz" para outras reformas de um eventual governo seu.

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"Há um grande sistema operando nas sombras. Quando digo que é desonesta, injusta e antidemocrática, me refiro a uma competição desigual entre tubarões do fundo eleitoral, do tempo do rádio e da TV. Tubarões de recursos próprios aplicados na campanha eleitoral por permissão legislativa contra lambaris sem tempo de rádio e TV, com escassos recursos do fundo eleitoral e evidentemente sem recursos próprios para aplicação no processo eleitoral."

Segurança pública

Alvaro Dias defendeu ainda a criação de uma frente latino-americana de combate ao tráfico e à produção de drogas com a ampliação do patrulhamento de fronteiras como parte de seu programa de segurança pública. "Cabe ao Estado garantir segurança à população. É preciso de política de Estado de segurança pública", disse o presidenciável. 

"Temos 17 mil quilômetros de faixas de fronteira abertas. Em 10 anos, de 2006 a 2016, o Brasil sepultou 342 mil jovens assassinados, sete vezes mais do que o número de soldados que morreram na Guerra do Vietnã." 

O candidato disse também ser a favor da flexibilização da atual legislação sobre o uso de armas de fogo pela população civil.

"Eu adoto posição de muita cautela. Não posso desobedecer um plebiscito e pretendo trabalhar favoravelmente à flexibilização da legislação nesse campo, com imposição de rigor no que diz respeito à responsabilidade", disse. "Diante de exageros, há que se responsabilizar. É preciso adotar normas que credenciem, que autorizem o cidadão a usar as armas." 

Dias é o primeiro candidato a participar da sabatina Estadão-Faap nas eleições presidenciais 2018, feita em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). A série de encontros com os presidenciáveis ocorre na sede da fundação, em São Paulo, entre os dias 27 de agosto e 6 de setembro. Além dele, estão confirmadas as presenças, nesta e na próxima semana, de João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede), Fernando Haddad (PT), vice na chapa do ex-presidente Lula, Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). O candidato Jair Bolsonaro (PSL) declinou do convite.

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