Igor Estrela/Estadão
Igor Estrela/Estadão

Alta rejeição de Bolsonaro se justifica pelo seu discurso, dizem especialistas

De acordo com pesquisa do CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, deputado federal e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lideram rejeições

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 23h27

A rejeição ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), de 32%, a maior entre todos os presidenciáveis, de acordo com pesquisa do CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 28, pode ser explicada pelo discurso radical, declarações polêmicas contra mulheres e homossexuais e decisões do parlamentar ao longo de sua trajetória política. A pesquisa revelou que Bolsonaro perde mais votos entre mulheres e pessoas com menor renda nas eleições 2018.

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Marco Aurélio Nogueira, cientista social e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), citou como um motivo o fato de Bolsonaro não acolher questões da agenda das mulheres brasileiras, como a igualdade salarial e a equiparação de direitos. "De todos os candidatos que já surgiram no País, ele é o mais hostil às mulheres".

Para Nogueira, a rejeição deve-se também ao estilo autoritário e à atuação em seus sete mandatos como deputado federal. "Muita gente considera que esse estilo de fazer política (autoritário) é inadequado para o País. Além disso, ele não teve uma atuação expressiva em quase 28 anos como parlamentar", avalia.

Em 2017, reportagem do Estado levantou que Bolsonaro aprovou dois projetos em 26 anos de Congresso. Ao todo, foram 171 propostas desde o início de sua atuação na Câmara, ainda na década de 1990. A maior parte das propostas era de interesse dos militares e ligada à segurança pública. 

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Carlos Melo, cientista político do Insper, diz que o fato de Bolsonaro se posicionar contra o ex-presidente Lula, condenado e preso pela Operação Lava Jato, o afasta dos eleitores que admiram o petista. "A população que se sente beneficiada com as políticas do Lula, em especial no Nordeste, reage contra o Bolsonaro."

O segundo mais rejeitado na pesquisa é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento mostra que 31% dos brasileiros são contrários ao petista. Apesar disso, Lula lidera o cenário eleitoral em que é incluído, com 33% das intenções de voto, seguido de Bolsonaro, com 15%. Sem o petista, o deputado federal do PSL lidera com 17%, seguido de Marina Silva, com 13%.

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O terceiro mais rejeitado é o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com 22%. O professor emérito de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer diz que o desgaste da imagem do político, que comandou São Paulo por quatro mandatos, é um dos fatores que pesam contra ele. Fleischer cita ainda como motivo as investigações de desvios de dinheiro em torno da construção do Rodoanel. 

A ex-ministra Marina Silva tem rejeição de 18%, a mesma de Ciro Gomes (PDT). Para Maurício Fronzaglia, professor de ciências políticas do Mackenzie, pesa contra Marina a ideia de que ela não se manifesta de maneira firme em momentos de crise do País. "Para muitos, ela parece uma liderança muito leve".

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Ele cita como desafios a estrutura partidária da Rede, pequena em comparação com outros partidos, e a baixa capilaridade da sigla. "O partido tem pouco alcance em cidades do interior, o que é prejudicial, além do pouco tempo de TV", diz. "Marina precisa de alianças que deem maior consistência partidária e representatividade."

Sobre Ciro, Fronzaglia diz que o temperamento forte é o que mais atrapalha o pré-candidato. "Isso pode passar uma imagem de ser impulsivo, o que não dá a sensação de segurança para que ele consiga mais apoio", afirma. 

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