Alta menor da renda é usada para justificar o pessimismo

Depois de ver poder de compra crescer, porteiro sente que salário já não acompanha elevação do custo de vida atual

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2014 | 02h07

Baiano radicado em São Paulo há 35 anos, Durval Dias, conhecido como Vavá no prédio onde trabalha como porteiro, na zona norte da capital, é uma amostra do universo dos brasileiros que não se dizem mais otimistas com o País.

A estabilidade financeira que o porteiro de 59 anos experimentou nos últimos anos foi abalada e ele alega dificuldades de conseguir manter a qualidade de vida conquistada.

Casado há 18 anos, pai de duas filhas, dono de uma casa própria e de um carro, Vavá afirma que sua receita não acompanha proporcionalmente os aumentos de suas despesas. "O salário da gente não está lá essas coisas. Diziam que isso ia melhorar. E as contas só aumentaram", afirmou o porteiro, cujo discurso traduz o resultado da pesquisa do Ibope, que indica queda de otimismo do Brasil motivada pela descrença do brasileiro na prosperidade econômica em 2014.

Segundo Vavá, outro motivo de insatisfação é o preço elevado de determinados produtos. O porteiro afirma que hoje está gastando mais para abastecer o carro e também se queixou do valor da cesta básica. "(O preço da) Cesta básica está numa altura fora do comum. O feijão o arroz...", reclama.

Preferência eleitoral. O porteiro afirma que não votou na presidente Dilma Rousseff em 2010, mas admite ter gostado da primeira metade do governo da petista. "No começo ela foi uma boa presidente para o País. Mas depois a gente ficou muito decepcionado com ela", disse. "Pensava que ela fosse fazer o mesmo que o Lula fez. Mas com o passar do tempo não foi nada disso", avalia Vavá.

Depois de fazer uma comparação breve sobre os dois últimos governos do PT à frente da Presidência da República, o porteiro faz elogios mais ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Do governo Lula eu gostei. Fez um bom governo. Dilma não está nem perto."

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