Chico Siqueira/Estadão
Chico Siqueira/Estadão

Aloysio afirma que PT comandou organização criminosa na Petrobrás

Candidato a vice-presidente pelo PSDB diz que Lula e Dilma Rousseff sabiam dos atos praticados por essa organização

Chico Siqueira e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 11h15

Atualizado às 12h41

O candidato a vice-presidente pelo PSDB, Aloysio Nunes, disse na manhã deste domingo (26) depois de votar em São José do Rio Preto (SP), que o PT comandou uma organização criminosa dentro da Petrobrás e que Lula e Dilma Rousseff sabiam dos atos praticados por essa organização. "Houve um assalto aos cofres públicos; a Petrobrás foi dominada por uma organização criminosa, pelo PT. É isso", afirmou o governador ao rebater questionamento feito sobre uma possível recusa da Justiça em homologar o acordo de delação do doleiro Alberto Youssef.

Segundo o senador, o Executivo está envolvido na corrupção da Petrobrás. "É impensável que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula não soubessem que o Paulo Roberto Costa estava lá para roubar", afirmou Aloysio, acrescentando que Costa foi indicado por um mensaleiro, que ele não identificou, para abastecer o PT e seus aliados com os recursos desviados da companhia.

"Evidentemente, ele foi indicado por um notório mensaleiro para ocupar a diretoria de abastecimento, só que não estava cuidando do abastecimento de petróleo, estava cuidando do abastecimento de dinheiro sujo nos cofres do PT e dos seus aliados", comentou.

Aloysio disse que não queria especular sobre os últimos acontecimentos envolvendo a saúde do doleiro - que na tarde deste sábado, passou mal na carceragem da Polícia Federal e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Santa Cruz, em Curitiba -, mas afirmou que Youssef tem um "arquivo fartíssimo" de informações que podem complicar o governo. Aloysio não disse quais informações seriam essas, mas relacionou o caso a uma possível queima de arquivo.

"É claro que houve especulação sobre queima de arquivo. Eu não quero fazer especulação, mas o fato é que Youssef é um arquivo vivo, tem revelações ainda por fazer, informações que seguramente vão colocar esse governo em situação difícil", afirmou, para acrescentar: "Eu desejo que ele se recupere".

Aloysio previu que as denúncias do doleiro "vão provocar um enorme terremoto" quando forem apuradas pelo Senado. "Isso aqui vai provocar um enorme terremoto. Vai ter muitos mandatos cassados. Não vai ter negócio de acordão, cassa um e poupa outro; e mais: você tem o executivo envolvido".

Para Aloysio, o candidato Aécio Neves está sendo beneficiado eleitoralmente pelas denúncias publicadas pela revista Veja e pelos atos de vandalismo praticados neste sábado (25) contra a fachada do prédio da editora Abril.

Ao responder a uma pergunta sobre as últimas pesquisas que colocam Dilma em primeiro lugar, Aloysio comentou que o que importa é o movimento pela retirada do PT do poder e de um novo governo para mudar a realidade do País. "Há uma mobilização civil, nunca vista antes, não apenas para barrar o caminho do PT, a perpetuação do poder do PT, mas para dar ao Brasil um governo como nós merecemos", afirmou. 

Para o senador, o eleitor indeciso, que "não é indeciso, é alguém que está pensando, está comparando, vendo qual é a consequência do seu voto", vai acabar votando em Aécio, levado pelas denúncias e pelo ato de vandalismo contra o prédio da Abril. "O fato é que ontem (sábado), o Brasil tomou conhecimento de uma agressão fascista à sede da Abril, editora da revista Veja. E tenho certeza que a repulsa a esse acontecimento contribuiu para que o desejo de mudança se amplifique nesses últimos minutos", afirmou.

Aloysio disse acreditar na virada do seu candidato, que está subindo na reta final da campanha. "Eu sou especialista em reviravolta. No primeiro turno as pesquisas davam 27% para o Aécio, que terminou com 34%. E as pesquisas de agora mostram a subida de Aécio na reta da chegada, o que é muito bom", comentou.

Mais tarde, enquanto acompanhava o governador Geraldo Alckmin votar no colégio Santo Américo, na zona sul de São Paulo, Aloysio Nunes reiterou que o prédio da editora Abril foi depredado "por uma milícia dilmista" e disse que o ato tem "parentesco com o chavismo".

"A Veja foi depredada por uma milícia dilmista, o que revela uma índole autoritária, intolerante. Um parentesco muito forte com o chavismo", disse o tucano ao manifestar repugnância ao protesto

Na sexta-feira, o prédio da editor Abril, localizado na zona oeste da capital, foi depredado por membros da União da Juventude Socialista (UJS), grupo que milita pela campanha da presidente Dilma Rousseff. 

Cerca de 20 pessoas picharam mensagens na fachada do prédio, atiraram lixo na entrada da editora e jogaram pedras contra o edifício em protesto a uma reportagem feita pela revista Veja sobre a ciência de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do esquema de corrupção na Petrobrás. 

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