Alianças em torno de Haddad já preocupam o PT

Partido ouviu um 'não' do PC do B e agora tenta se entender com o PR em busca de manter mais um parceiro histórico nas eleições

VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2011 | 03h01

A falta de aliados com peso político para sustentar a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo preocupa o governo e a cúpula do PT.

Até agora, os principais partidos da base de apoio do governo Dilma Rousseff estão divididos: ou têm candidatos próprios ou namoram o PSD do prefeito Gilberto Kassab e o PSDB do governador do Estado, Geraldo Alckmin. Para piorar a situação, as mágoas dos que foram atingidos pelas crises na Esplanada têm contaminado as negociações e atrapalhado Haddad.

Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o tratamento para combater um câncer na laringe, o próprio Haddad entrou em campo, à caça de aliados, mas ainda não obteve êxito. Anteontem à noite, ouviu um "não" do PC do B, que quer lançar o vereador Netinho de Paula à sucessão de Kassab, e hoje conversará com a direção do PR, em São Paulo.

Defenestrado do Ministério dos Transportes no rastro de denúncias de corrupção, em julho, o PR não se conforma de não ter indicado o substituto de Alfredo Nascimento, hoje senador. "O problema é o seguinte: enquanto não se resolver essas questões nacionais a gente não vai ser Haddad mesmo", resumiu um integrante da Executiva Nacional do PR, que pediu para não ser identificado. Na capital paulista, o partido é controlado pelo vereador Antonio Carlos Rodrigues, suplente de Marta Suplicy (PT).

Antigo aliado. O PC do B foi aliado dos petistas nas três últimas eleições para a Prefeitura de São Paulo. Haddad jantou na quarta-feira, em Brasília, com o presidente do PC do B, Renato Rabelo, e com o ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, que pretende concorrer a vereador na capital paulista. Em um tête a tête de duas horas, Rabelo contou a Haddad que o PC do B vai enfrentar o PT e lançar candidaturas às prefeituras de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, São Luiz, Teresina e Rio Branco.

Em público, os petistas disseram que os comunistas têm esse direito, mas, a portas fechadas, receberam a estratégia deflagrada pelo antigo parceiro como um golpe. Rabelo, porém, negou que a definição de candidaturas próprias às prefeituras de capitais seja o troco dado pelo PC do B após a queda de Orlando do Esporte.

Orlando caiu no mês passado, na esteira de um escândalo de convênios suspeitos com organizações não-governamentais (ONGs).

"Levamos algum tempo sem candidaturas majoritárias e era o PT que sempre aparecia, mas agora queremos acumular forças", afirmou Rabelo, que tentou amenizar o racha na base aliada em São Paulo. "Eu acredito que poderemos nos unir no segundo turno, mas deveremos fazer uma espécie de pacto civilizatório." Na tarde de ontem, em São Paulo, Rabelo e Orlando informaram a decisão de não apoiar Haddad a Lula. O ex-presidente elogiou o pré-candidato do PC do B, Netinho de Paula, e disse confiar no casamento dos comunistas com o PT mais à frente.

Logo que se recuperar, Lula promete chamar o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para conversas políticas. O ex-presidente avalia que o deputado Gabriel Chalita, postulante do PMDB à Prefeitura, pode ser "um belo vice" na chapa de Haddad.

Na prática, Lula está de olho no atraente tempo de TV que o PMDB tem no horário eleitoral gratuito, além do apoio da Igreja.

Netinho, do PC do B, seria a segunda opção para vice, por ter um perfil mais popular, que serviria de contraponto a Haddad, nome com mais trânsito na classe média.

Uma outra preocupação, no entanto, atormenta os petistas: em São Paulo, o PSB de Eduardo Campos está no governo Alckmin e também flerta com o PSD de Kassab. Campos já avisou o PT que não tem condições de apoiar Haddad. Não é só: o PSB e o PT vivem às turras em outras praças importantes, como Belo Horizonte e Recife. Lula, porém, avalia que pode reverter esse quadro.

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