'Aliança local com petistas não nega minha história na CPI'

Integrante da comissão que investigou em 2005 o mensalão, Fruet afirma que julgamento no STF 'cria marco' para a política

Entrevista com

DÉBORA ÁLVARES E ISADORA PERON , O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h07

Algoz do PT na época da CPI dos Correios, que investigou o mensalão, Gustavo Fruet (PDT) elegeu-se prefeito de Curitiba no domingo com o apoio do partido. Apesar de ter explorado pouco o tema durante a campanha, ele disse ao Estado que o seu trabalho na CPI influenciou o julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal. Fruet também não descarta nova parceria com a sigla em 2014, uma vez que dá praticamente como certo o apoio à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, cotada para disputar o governo do Paraná.

Com a sua vitória, a ministra Gleisi Hoffmann terá um palanque na capital para 2014?

Há uma aproximação, mas, de qualquer maneira, acaba sendo precipitado projetar o que vai acontecer em 2014.

O sr. pode mudar de ideia sobre quem apoiar até lá?

Não, isso é muito tranquilo. Mas acho precipitado mal terminar uma eleição e já começar a projetar a próxima.

Qual será o peso do PT no seu governo?

A ideia é conciliar capacitação técnica e formação política. Não posso montar equipe só pensando no projeto eleitoral.

O sr. se frustrou com a ausência de Lula e Dilma em sua campanha?

Não. Foi uma eleição local. A Gleisi esteve aqui porque tem uma história na cidade.

O sr. pretende ir a Brasília conversar com Dilma?

É uma obrigação. Tive a oportunidade de conversar com ela no domingo, por telefone. Ficamos de marcar uma audiência.

O sr. explorou pouco o tema do mensalão na campanha. Receber o apoio do PT gerou constrangimento para abordar o assunto?

Acho que se deu um tamanho exagerado ao fato. Em momento nenhum eu neguei o que fiz (na CPI). Uma aliança não é para negar história, é para construir um projeto de futuro local.

Como o sr. vê o julgamento no STF e a condenação de ex-dirigentes petistas?

Fizemos (na CPI dos Correios) um julgamento político. O julgamento judicial do Supremo cria um marco de mudar as relações da política brasileira.

O sr. acha que seu trabalho na CPI dos Correios ajudou?

Sim. Uma das primeiras coisas julgadas foi se as provas da CPI tinham validade. O Supremo validou as provas e o ministro relator (Joaquim Barbosa) fez referência ao nosso trabalho. Acho que isso prova que foi um trabalho responsável. Nenhum deputado foi inconsequente.

O sr. saiu do PSDB por divergências com o governador do Paraná, o tucano Beto Richa. E agora, como vai ser sua relação com o governo estadual?

O governador está viajando. Tão logo ele retorne, vou pedir uma audiência. Acho isso uma coisa natural. Ou a gente tem essa visão de responsabilidade de, passado o processo eleitoral, ter a capacidade desse diálogo, ou não merece estar na política.

Por que o sr. migrou de um partido de oposição para uma sigla que faz parte da base aliada do governo federal?

Porque todos os partidos de oposição (ao governo federal) estão na base do governo municipal aqui de Curitiba. Tanto o PPS quanto o DEM estavam na órbita do PSB (do atual prefeito Luciano Ducci). Por isso eu falo que a política não é uma linha reta. Tem que entender a realidade local.

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