Aliança é 'desconfortável', diz Kassab sobre PSDB

Prefeito diz respeitar crítica de Katia Abreu de que tucanos são inimigos do PSD

ARTUR RODRIGUES, BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2012 | 03h05

Depois de negociar uma união com o PT para as eleições municipais de São Paulo e se ver obrigado a recuar em direção ao tucano José Serra, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) definiu ontem a provável aliança de seu partido com o PSDB na capital como "difícil" e "desconfortável".

"Existe essa questão da relação com o PSDB que é uma relação desconfortável. O próprio partido trabalhou contra (o PSD)", disse Kassab. "Eu sempre expressei esse sentimento de desconforto em relação a uma aliança com o PSDB se o candidato não fosse o Serra."

O prefeito reagiu a correligionários irritados com a aproximação entre os dois partidos e alegou que a parceria se dá apenas em torno do nome de Serra. Em entrevista publicada ontem pelo Estado, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que é 1.ª vice-presidente da sigla, disse que os tucanos agem como "inimigos" por contestarem a reivindicação do PSD na Justiça Eleitoral por mais tempo de TV nas eleições.

"Ela (Kátia) expressa o sentimento de uma parte grande do partido", afirmou Kassab.

Segundo o prefeito, Serra integra um grupo de tucanos que não se opuseram à criação de seu partido, citando também os governadores Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR). Ele acrescenta que o foco das negociações por alianças é local. "As eleições são municipais."

Kassab acredita que teria enfrentado críticas de outras alas do PSD caso as negociações com o PT do ex-ministro Fernando Haddad tivessem avançado.

"A questão não teria unanimidade, seja ao caminhar para um lado ou para outro. Todos sabem que o partido tem origens diferentes", declarou.

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, disse que respeita a posição da senadora Kátia Abreu, mas enfatizou que o apoio de Kassab a Serra é pessoal. "Aqui em São Paulo, não foi uma aliança partidária, foi um compromisso pessoal. O prefeito de São Paulo não teria condições de negar apoio a José Serra e ele sempre deixou isso claro", disse. "A senadora tem uma visão muito particular do PSDB no Tocantins."

Kátia Abreu rebateu Afif e declarou ser aliada do governador tucano Siqueira Campos, indicando que seu desconforto foi provocado especificamente pela aproximação na capital paulista.

"Não tenho qualquer problema com o PSDB do Tocantins. Fui inclusive coordenadora da campanha do governador eleito Siqueira Campos, do PSDB, em 2010, de quem sou amiga pessoal e participo do seu governo", afirmou a senadora.

Desde sua fundação, o PSD ensaiou uma aproximação com a base da presidente Dilma Rousseff em votações no Congresso. Ao retomar as discussões para apoiar Serra em São Paulo, Kassab se empenhou para tranquilizar o governo em conversas com o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

"Ninguém pode ser punido por ter sentimento de gratidão", disse o vice-governador da Bahia, Otto Alencar. "Não acredito que (a aliança com Serra) atrase projeto nacional do PSD. A presidente Dilma vai entender,"

A união com os tucanos no município também virou assunto nos corredores da Câmara. O líder do PSD, Guilherme Campos (SP), tranquiliza a base aliada.

"Por mais emblemática que seja a eleição em São Paulo, ela não reflete todo o País", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.