Adriana Carranca/Estadão
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Aliança do PSB com PSDB foi 'equívoco', diz governador da Paraíba

Ricardo Coutinho, candidato do partido à reeleição no Estado, afirma que a história da legenda 'não é a de Aécio'

Adriana Carranca, enviada especial, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 12h06

Atualizada às 19h10

JOÃO PESSOA - O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), candidato à reeleição, disse ao votar, no final da manhã deste domingo, 26, que a aliança nacional do seu partido com o PSDB, do candidato à Presidência Aécio Neves, foi "um equívoco". Contrariando a coligação da Executiva Nacional do PSB, Coutinho aliou-se à presidente Dilma Rousseff no 2º turno. No Estado, Coutinho enfrenta o também tucano Cassio Cunha Lima.

"Eu acho que foi um equívoco do meu partido (a aliança nacional com o PSDB). Respeioto profundamente todos, mas acho que foi um equívoco. Compreendo que o PSB precisa se recompor, se reconstituir, porque perdeu o seu líder, mas a história do PSB não é de história de Aécio e nunca foi. Do ponto de vista do pensamento, da visão de vida, da ideologia, o PSB tem uma história que se aproxima muito à do PT de Dilma Rousseff. Eu a apoiei em 2010, mesmo quando ela apoiava meu adversário (PMDB). Não sou uma pessoa mesquinha, eu acho que o PT é o melhor para Brasil", afirmou.

Coutinho votou às 10h15, na Fundação Casa de José Américo, ao lado do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), o deputado federal eleito pelo PT Luiz Couto além de outros petistas. Ele não estava acompanhado da mulher, Pâmela Bório, que na causou polêmica nas redes sociais ao atacar o PT, aliado de Coutinho, e declarar voto no tucano Aécio Neves. 

Coutinho também falou uma "grande aliança para derrotar Dilma". "Muitos interesses s somaram, Houve uma grande aliança uma aliança que aqui na Paraíba estrapolou os partidos políticos para derrotar Dilma." Se a presidente for reeleita, Coutinho diz esperar do governo federal mais parcerias do que nos últimos 4 anos. "Espero mais parcerias, espero ter a tercceira entrada da transposição do Rio São Francisco já acordada com ela. Espero um grande sistema adutor para o Cariri oriental e occidental", disse Coutinho. A treansposição do Rio São Francisco foi o único investimento federal na Paraíba na gestão Dilma.  

Se for eleito, Coutinho diz esperar também do governo "uma nova pactuação federativa". "Você não pode ter a união com 76% e os estados e municípios com 24% do bolo da receita", disse, adicionando a necessidade de uma reforma política no país. "Não é possível que você transforme as eleições em coisa para milionários. Partido vale uma fortuna, tempo de televisão vale uma fortuna, apoio em qualquer município vale uma fortuna e quem não tem fica sozinho como fiquei. Eu com 36 deputados na Assembleia fiquei com 6 porque fechei a torneira do estado e paguei por isso", disse.

Coutinho afirmou ter feito uma campanha "profundamente  modesta". "Uma campanha em que eu voltei a subir em carroceria de caminhão, por falta de recursos", disse. Segundo dados da prestação de contas dos candidatos divulgados no site do Tribunal Superior Eleitoral, porém, Coutinho fez a campanha mais cara. O peesebista arrecadou quase R$ 1,6 milhão a mais do que o rival tucano: R$ 6,2 milhões contra R$ 4,6 milhões, respectivamente.

O candidato do PSDB ao governo da Paraíba, Cássio Cunha Lima, votou por volta das 11h15, no Colégio Estadual da Prata, em Campina Grande. Ele reforçou  a aliança com o candidato tucano à presidência Aécio Neves para atrair investimentos do governo federal ao estado.

Os dois candidatos ao governo da Paraíba chegaram à eleição tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, de três pontos porcentuais, segundo a última pesquisa Ibope, divulgada no sábado. Ricardo Coutinho (PSB) aparece numericamente à frente na disputa, com 53% das intenções de votos válidos, contra 47% do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que tenta o terceiro mandato. No primeiro turno, Cássio venceu Coutinho com vantagem de apenas 1,4 ponto porcentual - 47,4% contra 46%, respectivamente.

Afastamento. O Tribunal Regional Eleitoral afastou o comandante da Polícia Militar da cidade de Pombal, capitão Ismael Lima, até o fim das eleições, denúncias de omissão no combate a crimes eleitorais praticados pela campanha do governador Ricardo Coutinho (PSB). Ontem Coutinho acusou o adversário de "espalhar mentiras, calúnias e inverdades". Com uma das disputas mais acirradas do País, a campanha na Paraíba foi marcada por denúncias acusações mútuas dos candidatos. Pelo menos 586 denúncias de crimes eleitorais chegaram ao Ministério Público Eleitoral.

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