Aliança com PMDB frustrou PT em 2010

Um breve histórico da aliança nacional PT-PMDB, formalizada somente nas eleições de 2010, não aconselha o empenho da direção nacional petista em entregar seu comando ao aliado em boa parte dos principais municípios brasileiros em 2012.

WILSON TOSTA / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2011 | 03h02

Levantamento do Estado mostra que a coligação entre as duas legendas teve, em 2010, nas oito unidades da Federação em que o PMDB a liderou, 1,5 milhão de votos a menos do que havia obtido no mesmo período de 2006, no segundo turno presidencial. Na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT não apoiou candidatos peemedebistas a governador nesses colégios no primeiro turno, mas neles o resultado presidencial foi melhor do que na eleição de Dilma Rousseff, quando o PMDB liderou a aliança nesses locais.

Em 2010, o comando nacional petista encenou enredo parecido ao que prepara para 2012. Pressionou seções estaduais do partido para que desistissem de lançar candidatos a governador em Estados importantes, como Minas e Rio, onde o PMDB exigia o comando da aliança, ameaçando inclusive não apoiar Dilma. As seções estaduais cederam, mas o resultado não foi o que se anunciara: nos dois Estados, Dilma, apoiando candidatos do PMDB aos governos estaduais, teve 1.186.584 votos a menos do que Lula, comparados os dois segundos turnos. O PMDB, em parte, não entregou o que prometera. Seu candidato a governador de Minas, Hélio Costa, saiu na frente, mas acabou perdendo para o tucano Alberto Anastasia.

No Estado natal da presidente, os dois partidos já tinham disputado juntos a eleição de 2006, mas, ao contrário de 2010, na ocasião foi o PMDB que deu o candidato a vice-governador para o postulante petista ao governo, Nilmário Miranda. Com a dupla encabeçada pelo PT, Lula conseguiu 6.808.417 votos (65,19%) no segundo turno. No ano passado, com o peemedebista Costa tentando o Palácio da Liberdade, Dilma, embora vencendo José Serra (PSDB), obteve os votos de 6.220.125 (58,45%) mineiros.

Outros Estados. Já no Rio, em 2006 PT e PMDB estavam separados no primeiro turno, quando Lula teve apoio dos candidatos Vladimir Palmeira (PT) e Marcelo Crivella (PRB) - a aliança só se deu no segundo turno, com Sérgio Cabral Filho (PMDB). O presidente se reelegeu com 69,68% da votação, ou 5.532.584 votos. Quatro anos depois, com os dois partidos juntos desde o primeiro turno, Cabral foi candidato único do campo governista ao Palácio Guanabara, mas Dilma, no segundo turno, teve 4.933.926 votos - queda de 598.658 em relação a quatro anos antes.

Ao todo, nos oito Estados em que o PMDB chefiou as coligações estaduais em 2010, Dilma obteve 17.591.930 votos no segundo turno. Quatro anos antes, Lula conseguira nesses mesmos colégios 19.141.532 eleitores, uma diferença de 1.549.602, em um eleitorado menor.

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