Aliados cobram de prefeito apoio do PSD

Depois de contar com a ajuda preciosa de governadores e líderes políticos de vários partidos para construir seu PSD ao longo do ano passado, 2012 chega para o prefeito de São Paulo e presidente da nova legenda, Gilberto Kassab, como a hora do acerto de contas. O pagamento pela boa vontade dos aliados virá nas eleições municipais, com o PSD dando apoio aos candidatos dos padrinhos que o ajudaram.

CHRISTIANE SAMARCO, JOÃO DOMINGO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h04

Será assim na Bahia do governador petista Jacques Wagner, que cedeu ao partido de Kassab até seu vice Otto Alencar. Lá, o PSD vai trabalhar pelo petista Nelson Pelegrino a prefeito de Salvador. No Rio, a gratidão ao apoio sem exigências do governador Sérgio Cabral (PMDB) virá na campanha da reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

A situação se repete em Pernambuco, onde a ordem é seguir as instruções do governador Eduardo Campos (PSB). Igualmente no Ceará, onde o governador socialista Cid Gomes ajudou a montar o PSD. Na verdade, a operação cearense foi comandada pelo irmão do governador e ex-candidato a presidente Ciro Gomes, que sangrou o PSDB do ex-aliado Tasso Jereissati para engordar a nova legenda.

A extensa lista de credores também inclui o PSDB. No Pará, o maior aliado de Kassab na construção do PSD foi o governador tucano Simão Jatene. No Paraná do governador Beto Richa, o partido nasceu como força política auxiliar do PSDB.

Em Minas Gerais, a sigla já surgiu abrigada no secretariado do governo Antonio Anastasia, quando o secretário de Gestão Metropolitana Alexandre Silveira trocou o PPS pelo PSD.

A exceção ao quadro geral é São Paulo, onde Kassab acumula o comando do PSD nacional, com o estadual e o municipal. É em território paulista que ele tem de garantir, desde já, sua sobrevivência política em 2014.

Um de seus aliados diz que foi diante da dificuldade de obter espaço no projeto futuro do tucanato que ele fez aceno ao PT. A expectativa é de amarrar o quanto antes a vaga ao Senado por São Paulo.

Voo solo. Os casos em que o PSD estará solto para construir o projeto eleitoral que bem entender são raros, como no Amazonas e em Santa Catarina, únicos Estados comandados por governadores do PSD, Omar Aziz e Raimundo Colombo, respectivamente. A regra também vale para o Rio Grande do Sul, onde a legenda se formou sem o apoio de nenhuma liderança gaúcha importante.

Se o partido ganhar na Justiça o direito de levar os votos e o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão dos que migraram de outras legendas, o projeto é lançar a candidatura do deputado federal Danrlei de Deus em Porto Alegre.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.