Aliado de Serra reclama de tucanos que agora pedem renovação do PSDB

Senador Aloysio Nunes Ferreira ataca cobrança pelo 'novo' após derrota pela Prefeitura de São Paulo; liderança nega mal-estar entre integrantes do partido

Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 07h31

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), um dos principais aliados de José Serra, reclamou nessa segunda-feira, 29, dos tucanos que passaram a defender a renovação de seu partido após a derrota do candidato na eleição municipal de São Paulo. Sem citar nomes, o senador usou a tribuna do Senado, em Brasília, para lembrar que os líderes do PSDB paulista pediram para Serra disputar a Prefeitura.

 

"Muitos daqueles que hoje falam 'ah, o novo' imploraram para José Serra ser candidato a prefeito de São Paulo. Pediram, insistiram para que ele fosse candidato", disse Aloysio. "A partir do resultado das eleições, especula-se sobre o novo e seu poder miraculoso nas eleições. Eu tenho minhas dúvidas sobre esse poder miraculoso do novo nas eleições – fosse assim, Arthur Virgílio não teria sido eleito prefeito de Manaus."

 

Horas depois da divulgação dos primeiros números da apuração em São Paulo, quando havia indícios da derrota de Serra, líderes do partido no Estado pregaram a renovação do PSDB e a formação de novos quadros. Entre os defensores públicos dessa tese, estão aliados do governador Geraldo Alckmin.

 

Aliado de Serra, o ex-governador Alberto Goldman nega mal-estar com os políticos mais próximos de Alckmin, mas diz que o partido não deve mirar apenas a escolha de novos nomes para formar seus quadros.

 

"Todos falam de renovação como a escolha de pessoas jovens, mas isso é bobagem. (Gabriel) Chalita e (Celso) Russomanno são jovens e tiveram um desempenho ruim", afirmou. "A renovação pode-se dar nas ideias e nos projetos. Isso o Serra tinha em parte, mas pode ter faltado algo."

 

O grupo de Alckmin também diz que não há ruídos com os serristas. "Ninguém está questionando a candidatura de Serra", afirmou o presidente municipal do PSDB e secretário de Planejamento do governo Alckmin, Julio Semeghini.

 

No início do ano, o PSDB paulistano organizou uma votação prévia entre seus filiados para escolher seu candidato a prefeito de São Paulo, com a participação de José Aníbal, Ricardo Tripoli, Andrea Matarazzo e Bruno Covas. Os tucanos acreditavam, no entanto, que nenhum dos quatro nomes era competitivo o suficiente e passaram a articular a entrada de José Serra na disputa. Serra disputou a prévia depois da desistência de Matarazzo e Covas, e foi escolhido candidato do partido com pouco mais da metade dos votos dos filiados.

 

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