Aliado de ministro em Minas, Aécio cobra explicações

Já o governador Antonio Anastasia, também tucano, disse confiar plenamente em Fernando Pimentel, a quem se referiu como amigo

ELIANA LIMA / SALVADOR, ESPECIAL PARA O ESTADO, ALFREDO JUNQUEIRA / RIO , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h08

Patrocinador da aliança do PSDB com o PT na capital mineira ao lado do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), 0 senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou ontem que o petista deve dar os devidos esclarecimentos sobre as consultorias que prestou a empresas que fecharam negócios com a Prefeitura de Belo Horizonte. Pimentel é ex-prefeito da capital mineira.

"Sempre tive um relação cordial com o ministro Pimentel, mas acho que ele está numa condição de ter que prestar esclarecimentos. Fazer consultoria não é crime. Agora, se houve tráfico de influência é diferente. Temos que dar a ele o crédito para que preste as explicações necessárias. Não esclarecendo, a situação fica muito difícil", disse o tucano, ex-governador de Minas.

Diferentemente de Aécio, o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), deu apoio explícito a Pimentel ontem, no Rio. "Pelas informações que tenho, mantenho muita confiança no ministro Pimentel, que, além de tudo, é mineiro e um amigo", disse Anastasia, logo após concluir uma palestra sobre a internacionalização do Estado de Minas Gerais, em evento realizado na Associação Comercial do Rio.

"Mas essa questão de ministro de Estado, a competência é exclusiva da presidente da República", acrescentou o tucano.

Questionado se acreditava que as denúncias contra Pimentel poderiam atrapalhar a campanha de reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB), que chegou ao poder graças à aliança entre tucanos e petistas, Anastasia foi monossilábico: "Não".

A união entre PT e PSDB na capital mineira deixou sequelas no partido. A ala do PT não ligada a Pimentel insiste na candidatura própria em Belo Horizonte e resiste em reeditar a aliança. Os tucanos, por sua vez, já reafirmaram o acordo com Lacerda.

"Os governadores decidiram em Maceió, no ano passado, que as questões políticas de oposição sejam feitas pelo Parlamento, e não pelos governadores", esquivou-se Anastasia, deixando claro que não se sentia confortável em falar sobre as denúncias envolvendo o ministro aliado.

Dilma. Mais enfático no papel de oposição, Aécio também não poupou a administração da presidente Dilma Rousseff e fez críticas ao PT. Afirmou que a atual gestão federal não tem competência e nem capacidade de ousar para superar os gargalos de infraestrutura no País. Criticou ainda o elevado número de ministérios, e afirmou que o PT perdeu a oportunidade de fazer o País avançar, em meio ao desperdício e às denúncias de corrupção, que derrubam um ministro por mês.

Segundo ele, as administrações tucanas não se comparam às do PT. "O que o governo do PT faz é um software pirata. O programa original foi elaborado nós, com ênfase na estabilidade econômica." Aécio, que está fazendo um tour pelo País preparando-se para a disputa de 2014, foi reticente sobre a candidatura presidencial: "Presidência é destino, muito mais que projeto", disse, relembrando o avô Tancredo Neves. Da Bahia, ele seguiu para o Rio Grande do Norte.

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