Aliado de Marina veta PDT no acordo entre ex-ministra e Campos

Para Walter Feldman, denúncias impedem aliança com partido; Lupi reage e diz que tendência da sigla é apoiar Dilma

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2013 | 02h08

Após vetar ruralistas na aliança presidencial da candidatura de Eduardo Campos (PSB), a Rede da ex-ministra Marina Silva quer agora travar negociações do pernambucano com o PDT de Carlos Lupi. Um dos principais articuladores do grupo, o deputado Walter Feldman, que há uma semana assinou a ficha de filiação do PSB, afirmou que o partido de Lupi não se enquadra dentro da ótica da Rede devido à onda de denúncias de corrupção que costuma rondar o Ministério do Trabalho.

"O PDT não cabe (na aliança) por causa do Lupi. As coisas do ministério são muito complicadas. A regra da política de ter mais partidos para aumentar o tempo de TV não pode ser para liderar o atraso. O PDT está com problemas sérios e que precisam ser respondidos, equacionados. Então, teria certo incômodo sim", disse.

Para ele, a aliança deve ficar circunscrita a poucos partidos. "Acho que pela Rede só cabem PPS e PV. Eventualmente partidos pequenos."

A restrição das possibilidades de acordos eleitorais é o preço inicial pago por Campos após a aliança com Marina. O governador de Pernambuco havia articulado uma chapa em Goiás com o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado, mas diante dos protestos de Marina abandonou este projeto. Agora, vê a chance de ampliar o tempo de televisão na campanha restringido com o novo veto defendido por integrantes da Rede.

O PDT era uma das apostas de Eduardo Campos para engrossar a coalizão. Mas, para o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, a situação agora é nova. Ele sinalizou que o partido deverá aceitar o veto. "O PDT nunca nos disse que apoiaria. Houve conversas com vários partidos e agora temos uma nova situação e vamos discutir juntos todas as alianças no plano nacional no momento certo."

Dilma. Lupi afirma que só discutirá apoio em 2014, reconhece ter conversas com Campos, mas diz ser maioria no PDT a preferência por continuar com a presidente Dilma Rousseff. Ele também rebateu os questionamentos de Feldmann afirmando não responder a qualquer processo em 33 anos de vida pública. "Gostaria que ele apontasse algum problema para justificar essa posição", disse.

O presidente do PDT afirma ter conversado com Campos em algumas oportunidades e o identifica como alternativa para 2014. Diz que seu partido só decidirá o caminho no próximo ano, mas sinaliza apoio à reeleição de Dilma. "Podemos apoiar o Eduardo, ter candidatura própria ou apoiar a Dilma, que é hoje a tendência majoritária."

O líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS), minimiza o posicionamento do integrante da Rede e afirma não ser hora de discutir a amplitude das alianças. "Nós não estamos antecipando essa discussão."

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