Aliado de Marina diz que suspeita sobre PSDB é caso isolado

Walter Feldman afirma que denúncia contra o então presidente da sigla está em patamar distinto ao do esquema na estatal

Isadora Peron e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 22h29

O ex-coordenador da campanha de Marina Silva, Walter Feldman, disse nesta sexta-feira, 17, que não dá para colocar no “mesmo patamar” o suposto pagamento de propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra com o caso de corrupção que envolve a Petrobrás. 

Questionado se Marina havia ficado preocupada em selar a sua aliança com o candidato tucano Aécio Neves um dia depois de os jornais publicarem a denúncia contra Guerra, morto em março deste ano, Feldman afirmou que não, pois o caso ainda precisava ser investigado. 

“Não dá para comparar a citação sobre Sérgio Guerra com o esquema total de corrupção na Petrobrás. Não dá para colocar as duas coisas no mesmo patamar. Se o Sérgio Guerra se envolveu em tudo isso, é preciso investigar. Mas que a Petrobrás está envolvida em um grande esquema de corrupção, isso não resta dúvidas”, disse. 

Em sua delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que Guerra o procurou e cobrou R$ 10 milhões para que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás, aberta em julho de 2009 no Senado, fosse encerrada. Segundo Costa, o tucano disse a ele que o dinheiro seria usado para a campanha de 2010. 

Aos investigadores da Operação Lava Jato, Costa afirmou ainda que o dinheiro foi pago em 2010 a Guerra. O pagamento teria ocorrido depois que a CPI da Petrobrás foi encerrada, sem punições, em 18 de dezembro de 2009. O senador era um dos 11 membros da comissão - três integrantes eram da oposição e acusaram o governo de impedir as apurações

Feldman argumentou ainda que o episódio envolvendo Guerra é parecido com o fato de o nome de Eduardo Campos, morto em agosto, ter sido citado pelo mesmo ex-diretor e defendeu que nos dois casos é preciso que haja investigação.

Apesar do benefício da dúvida concedido tanto a Guerra quanto a Campos, Feldman não teve a mesma postura em relação ao atual governo, que classifica como o “responsável por transformar a Petrobrás num sistema de crime organizado”.

Nesta sexta, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que foi vice de Marina na eleição presidencial, também comentou o assunto. Ele repetiu o que o próprio Aécio tinha respondido a Dilma no debate do SBT, na noite de quinta-feira. “O que me anima é ver agora a presidenta confiando nas informações do Paulo Roberto. Acho que ela deu um passo adiante, passou a reconhecer a veracidade dessas informações”, ironizou. 

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