Aliado de favorito consegue barrar na Justiça notícia em portal

William Guimarães, que comanda a Ordem no Piauí e apoia Coêlho, consegue censura judicial contra o portal AI5Piauí

O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2013 | 02h07

O presidente da seccional da OAB do Piauí, William Guimarães, pediu à Justiça - e conseguiu - em novembro do ano passado que um site de notícias local, o AI5Piauí, fosse proibido de divulgar reportagens que atingissem "sua honra e imagem". Guimarães é aliado político de Coêlho, também do Piauí, com quem fez dobradinha na última campanha - Coêlho para a presidência da OAB federal e Guimarães, para a estadual. Ambos dividem a mesma chapa há três gestões na OAB-PI.

A notícia que motivou a censura judicial afirmava que Carvalho, apesar de ser procurador do Estado, patrocinava causas particulares. Entre essas ações, está a defesa do presidente da Assembleia Legislativa do Piauí no julgamento das contas de sua gestão perante o Tribunal de Contas de Estado, que foram reprovadas.

Segundo a notícia, o escritório de Carvalho também teria recebido, no ano de 2010, mais de R$ 1,5 milhão de contratos sem licitação com prefeituras de cidades do interior do Piauí.

Ao Estado, Guimarães afirmou que moveu a ação contra o AI5Piauí porque não teve oportunidade de manifestar sua versão no portal e porque havia na notícia uma "intenção deliberada" de lhe causar prejuízo. Ele também alega que, no Piauí, procuradores de Estado podem exercer advocacia privada e que seus contratos com as prefeituras se enquadravam nas hipóteses legais de dispensa de licitação.

Em 19 de novembro, o juiz Antenor Barbosa de Almeida Filho determinou que o AI5Piauí não veiculasse novas notícias ou informações envolvendo o nome de Guimarães "até ulterior deliberação", sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.

Na prática, a decisão também beneficiou Coêlho. A mesma notícia do portal também citava a ação de improbidade movida contra ele.

Walcy Vieira, editor do AI5Piauí, disse que recebeu a censura judicial "com muita tristeza". "A OAB tem respaldo muito grande para combater a censura e defender a liberdade e a democracia, e não para cometer censura. Depois disso, não tenho mais os mesmos olhos que eu tinha com a OAB. Se o grupo do Marcus Vinicius praticou censura aqui no Piauí, o que será da nacional?", perguntou.

No ano passado, Coêlho também conseguiu remover judicialmente críticas e documentos postados no Facebook por um advogado adversário que citavam a ação de improbidade.

À reportagem, Coêlho afirmou que sempre lutou pela liberdade de expressão e é contra a censura prévia a veículos./ B. L.

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