Aliado de Aécio diz que recuo foi ‘infeliz’

Para coordenador da área trabalhista da campanha do tucano, candidato precisa ser ‘mais claro’ quanto à proposta sobre aposentadoria

Pedro Venceslau e Roldão Arruda , O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 22h21

Coordenador do programa de governo para a área trabalhista do candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves , o sindicalista João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, reagiu negativamente nesta quarta-feira, 24, ao recuo do tucano da promessa de acabar com o fator previdenciário.

“Ele (Aécio) foi infeliz. Esse recuo repercutiu muito mal e ficou ruim para todo mundo”, afirmou Inocentini. “O candidato precisa ser mais claro e objetivo. Aécio não está sabendo explicar a proposta que defendemos”, concluiu.

O mecanismo foi criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para desestimular aposentadorias precoces.

O dirigente disse ainda que já entregou ao candidato o texto com o programa de governo elaborado pela Força Sindical e outras centrais. As entidades pressionam Aécio para que ele assuma a defesa do projeto 85/95, do deputado federal Pepe Vargas (PT-RS). A proposta do petista antecipa a aposentadoria integral quando a soma da idade e do tempo de contribuição do segurado der 85 anos para mulher, ou 95 anos para homem.

Pelo atual modelo, se aposenta quem tiver 64 anos e meio de idade e 35 anos de contribuição. Depois de dizer em um encontro da Força Sindical na semana passada que acabaria com o fator previdenciário, Aécio voltou atrás na terça-feira durante entrevista para o telejornal Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Ao contrário de Inocentini, o deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade e membro da coordenação da campanha de Aécio, amenizou a mudança de postura do candidato. “Não houve recuo. Aécio disse que buscaria alternativas para o fator (previdenciário)e não que acabaria com ele”. Apesar do esforço retórico, a própria campanha de Aécio divulgou uma nota oficial na semana passada afirmando que ele acabaria com o mecanismo caso seja eleito.

Paulinho reconhece, porém, que está empenhado em fazer com que o tucano apoie o projeto 85/95. Reservadamente, dirigentes do PSDB dizem que Aécio não tem como encampar nesse momento o projeto de um parlamentar petista. Em meio à polêmica, Aécio se reuniu ontem em Belo Horizonte com lideranças sindicais que o apoiam, mas negou que a atividade foi marcada devido à polêmica. “O encontro já estava marcado há muito tempo. Eu estar com as centrais sindicais é a coisa mais natural do mundo”, afirmou o candidato.

Questionado sobre a mudança de discurso, o tucano desconversou. “O compromisso que foi selado com todos os sindicalistas é o entendimento verdadeiro, sincero.”

‘Revisitar’. Em um discurso para lideranças de movimentos sindicais em São Paulo, a candidata à Presidência Marina Silva (PSB) prometeu nesta quarta “revisitar” o fator previdenciário caso seja eleita.

Apesar de as centrais sindicais pedirem o fim do fator, Marina tem prometido encontrar uma “fórmula” que não traga prejuízos ao trabalhador.

Ao comentar o recuo de Aécio sobre o fator previdenciário, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse não que não ficou surpreso. “Eu já não esperava nada dele nessa direção”, afirmou.

Ao ser lembrado que a candidata Dilma Rousseff (PT), que tem o apoio da central, também não se declarou disposta a mudar o mecanismo, ele comentou: “Ela vai ter que dar um passo à frente. Nós reivindicamos é que a presidente venha com a proposta de acabar com o fator. Queremos que coloque em seu programa de governo”. / COLABORARAM MARCELO PORTELA, ISADORA PERON e ANA FERNANDES 

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