Aldo barra 25 nomeações de Orlando no Esporte

Novo ministro suspende as indicações para cargos de confiança feitas pelo seu antecessor e colega de PC do B, que deixou o ministério sob suspeita

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h04

Na decisão administrativa mais drástica tomada até agora em relação ao antecessor, o ministro Aldo Rebelo (Esporte) suspendeu a nomeação de 25 indicados por Orlando Silva para cargos de confiança na pasta. As duas dezenas e meia de postulantes a cargos DAS (Direção de Assessoramento Superior) aguardavam a publicação das contratações pela Casa Civil. A decisão abre um conflito entre "padrinhos" comunistas.

Entre os que tiveram a nomeação suspensa está Edmilson Valentim, militante histórico do PC do B, eleito o mais jovem deputado federal constituinte em 1986, pelo Rio de Janeiro. Metalúrgico, negro, Valentim não conseguiu a reeleição em 2010. Atualmente integra as direções nacional e estadual do PC do B. Ele havia sido indicado para a gerência de Projetos na representação do Ministério do Esporte no Rio de Janeiro.

Por intermédio de sua assessoria, o ministro Aldo Rebelo disse que a suspensão das nomeações foi natural porque houve troca no comando da pasta. O ministro quer examinar todos os nomes da lista antes de decidir se manterá algumas indicações ou se fará outras. A renumeração média de um cargo DAS-6 é de R$ 21,6 mil, de acordo com boletim do Ministério do Planejamento; de um DAS-5, R$ 20,3 mil.

Demissão. O ex-ministro Orlando Silva, como Aldo Rebelo, militante do PC do B, caiu depois de seguidas denúncias de um ex-integrante do partido, que o acusou de comandar um esquema de extorsão de ONGs que tinham convênio com o Ministério do Esporte. Orlando resistiu enquanto pôde. Chegou a se dizer "indestrutível", mas sucumbiu às pressões e foi substituído por Aldo Rebelo.

Duas semanas depois de tomar posse no Esporte, o novo ministro anunciou os nomes da nova cúpula do ministério. Apesar da faxina nos principais cargos da pasta, Aldo manteve parte dos antigos ocupantes, até mesmo os suspeitos de envolvimento com irregularidades no Esporte. É o caso do ex-secretário Executivo Waldemar Silva e Souza, que perdeu o cargo mas foi mantido no ministério. Ele foi substituído pela economista do Banco Mundial Paula Pini.

Sindicato. O nome de Waldemar surgiu no escândalo do esquema de desvio de verbas do Esporte por ter firmado contrato de R$ 6,2 milhões com um sindicato de cartolas do futebol para um projeto fantasma da Copa do Mundo.

Além dele, o ministro decidiu manter Ana Prestes no Esporte. Mas ela deixou a chefia daAssessoria de Relações Internacionais, sendo substituída pelo embaixador de carreira Carlos Henrique Cardim. A neta do Luiz Carlos Prestes permanecerá na subchefia da assessoria.

Já Wadson Ribeiro, ex-secretário de Esporte Educacional, deixou de vez o ministério. Era suspeito de ter destinado R$ 9 milhões a uma ONG ligada a ele, em Juiz de Fora (MG).

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