Andre Penner/AP
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Ciro diz que 'o País não aguenta mais a bomba da polarização com o PT'

Questionado sobre as declarações de Haddad de que tinha certeza que seria apoiado pelo pedetista no segundo turno, Ciro rebateu: "Nem a pau, Juvenal. Eu não cedo a instituto de pesquisa a minha responsabilidade com o meu País".

Elizabeth Lopes e Marcio Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 09h15

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse nesta quarta, 19, que o País não aguenta mais a "bomba da polarização" com o PT. Depois de ser ultrapassado pelo petista Fernando Haddad na pesquisa Ibope, divulgada na terça, que mostra Jair Bolsonaro (PSL) na liderança, Ciro afirmou que pesquisa é um retrato de momento e que segue em sua campanha com muito trabalho e serenidade. "Sou experiente", disse ele, numa referência direta ao petista.

Ciro disse que não cede a instituto de pesquisa e, apesar de falar sobre a amizade com Haddad, destacou que o petista está se precipitando em inexperiência ou até mesmo na arrogância, em se achar vitorioso ou no segundo turno. Questionado sobre as declarações de Haddad, dada na terça-feira à mesma emissora, de que tinha certeza que seria apoiado pelo pedetista no segundo turno das eleições. "Nem a pau, Juvenal. Eu não cedo a instituto de pesquisa a minha responsabilidade com o meu país", disse Ciro.

Ao falar das pesquisas, em entrevista para a rádio CBN e o portal G1, o pedetista falou sobre o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. "Alckmin vendeu a alma para ter o maior tempo de TV (na aliança com o Centrão), mas está pagando um preço amargo (pois não decolou nas pesquisas e continua a aparecer com um dígito nas intenções de vot0)".

Na entrevista, ele disse que se eleito vai mudar a política de preços em vigor hoje na Petrobras, que ele classificou de "perversa". Segundo ele, a política tem o governo Temer "protegendo a perversão dos acionistas minoritários" ao privilegiar a cotação internacional, em dólar, levando a "alta nos preços do combustível ao consumidor e no preço do botijão de gás para as donas de casa".

Ele destacou ainda que os preços incluirão os custos lastreados no real, somado aos gastos da estatal e o que ela precisa para investir. "Junto com a Venezuela, o Brasil é a maior reserva de petróleo das Américas. Podemos ser a maior reserva do mundo. Dá pra transformar o Brasil em uma grande sociedade de classe média em poucos anos".

Segundo Ciro, uma das propostas é acabar com a importação de combustível. "Temos capacidade ociosa de produção", emendou. "O Brasil tem 40% capacidade de refino de óleo diesel, gasolina e gás parados e compra gasolina dos EUA em dólar. Alguém, pelo amor de Deus, justifica isso pra mim?", questionou.

Sobre segurança pública, Ciro Gomes acusou as autoridades de São Paulo a fecharem acordos com facções criminosas. "Comando do PCC tem acordo com autoridades de São Paulo, todo mundo está careca de saber disso", emendou, dizendo que o Ministério Público está vasculhando isso.

O candidato reconheceu que em seu Estado, o Ceará, a segurança não vai bem, mas disse que não é por omissão. "Fizemos todo o manual do que era preciso. Triplicamos a força policial do meu governo para cá. 100% do aumento da violência é explicado pelo comando de PCC e do CV a partir das cadeias. Minha principal proposta para reduzir a violência é assumir como federal, desde a investigação até a punição, de crimes, incluindo a corrupção policial, por meio de mudança de leis", disse. 

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