Ayrton Vignola/AE - 30.11.2011
Ayrton Vignola/AE - 30.11.2011

Alckmin troca secretário da Saúde para enfrentar Padilha

Governador substitui nome técnico por David Uip, que recebeu missão de debater Mais Médicos com o candidato do PT ao governo do Estado nas eleições de 2014

Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2013 | 02h06

A expectativa de enfrentar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), na eleição estadual de 2014, levou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a trocar o titular da Secretaria Estadual da Saúde. Considerado um "bom técnico", mas sem traquejo político, o médico e professor Giovanni Guido Cerri será substituído pelo infectologista David Uip.

Com um perfil mais combativo, Uip é visto como mais preprado para enfrentar o debate sobre o programa "Mais Médicos" do governo federal e defender a pasta de eventuais ataques do PT. Com a consolidação do nome de Padilha, os tucanos acreditam que essa será a peça de resistência da campanha petista em São Paulo.

Recuo. O programa, que visa ampliar a oferta de médicos em regiões mais isoladas do País com a contratação de profissionais estrangeiros, vem sendo tratado com a principal vitrine do Ministério da Saúde. Alckmin esperava ter feito o anúncio da mudança na semana passada, mas recuou quando a notícia vazou na imprensa.

Em nota oficial, o Palácio dos Bandierantes afirmou que Cerri deixou o cargo que ocupa desde janeiro de 2011 "a pedido". O agora ex-secretário, porém, chegou a pedir para ficar no cardo alegando que poderia fazer o debate polític com os adversários.

Tucanos e petistas reconhecem que o discurso da Saúde estará no centro dos debates do ano que vem e lembram que tanto Padilha quanto Alckmin são médicos. O ministro é infectologista como Uip e o tucano é anestesista. "Colocar esse tema no centro do debate é o pior cenário para o PSDB. Não temos medo de sair em defesa do Mais Médicos", afirma o deputado estadual Edinho Silva, presidente estadual do PT.

Com essa decisão de lançar Padilha, os petistas paulistas ganharam como adversários a classe médica. "Se depender dos médicos o Padilha não se elege. Ele é persona non grata na medicina brasileira", afirma Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira. A entidade se aproximou do ex-governador José Serra (PSDB) quando ele encampou o discurso contra o Mais Médicos para atacar o governo federal.

Batalha. Com a mudança anunciada ontem o PSDB tenta tomar o rpotagonismo da agenda eleitoral. A avaliação recorrente no partido é que o governo está perdendo, até aqui, a batalha da comunicação para o PT. Os tucanos afirmam que os adversários souberam capitalizar as manifestações de junho e "instrumentalizar" políticamente o caso Siemens. Temem que esses dois episódios possam contaminar uma campanha que até junho era caminhava para ser tranquila.

Diretor do Instituto Emílio Ribas, Uip se aproximou do PSDB no fim dos anos 90 quando tratou do câncer do então governador Mário Covas (mais informações ao lado). Na manhã de ontem, ele recebeu a visita de Alckmin no instituto na única agenda pública do dia. Na ocasião, foi anunciada a aprovação do governo para investir R$ 100 milhões na instituição./

COLABOROU FERNANDA BASSETE

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