Alckmin sobe mais o tom e chama Kassab de 'dissimulado'

Candidato do PSDB acusou o prefeito de cooptar tucanos e de estimular 'intriga' interna do partido

Carolina Freitas e Carina Urbanin, da Agência Esta,

23 de setembro de 2008 | 14h27

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, intensificou o tom do ataque ao candidato do DEM e atual prefeito, Gilberto Kassab, na sabatina do jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira, 23. Alckmin chamou Kassab de "dissimulado" e acusou o prefeito e candidato à reeleição de cooptar tucanos para sua campanha. "O Kassab é dissimulado. Ele usa as pessoas", disparou Alckmin durante sabatina do jornal Folha de S.Paulo. "Ele tem uma só estratégia: destruir o partido que o levou ao poder." Na última sexta, o tucano disse que o prefeito "deu um golpe" em 2004 para ser vice na chapa do governador José Serra. Serra rebateu Alckmin e disse que "não houve golpe".    Veja Também: Alckmin ignora Serra e mantém ataques contra KassabEspecial: Perfil dos candidatos Blog: propostas dos candidatos de São Paulo na sabatina do 'Grupo Estado'Marta tem 37%; Alckmin e Kassab estão empatados, diz pesquisaIbope: Veja números das últimas pesquisas  Em uma disputa apertada com Kassab por uma vaga no 2º turno, Alckmin lançou suspeita sobre os motivos que levaram políticos do PSDB a apoiar Kassab. "Você acha normal vereadores do PSDB não apoiarem o candidato do partido? Que mágica é essa?" Em entrevista depois do evento, o tucano disse que "cabe investigar" o método de "cooptação" dos kassabistas. Alckmin evitou comentar, no entanto, a parcela de culpa dos tucanos que decidiram apoiar Kassab. "Estão sendo usados. A cooptação dos vereadores é vergonhosa." Para Alckmin, a tentativa de Kassab de colar sua imagem nos tucanos - especialmente o governador do Estado, José Serra - confunde o eleitor. "Ele estimula a intriga interna no PSDB e confunde a opinião pública", disse. "Aliou-se a Quércia (Orestes Quércia, do PMDB, ex-governador) e agora quer se passar por tucano." Sobrou munição ainda contra a administração de Kassab - iniciada pelo tucano Serra em 2004. Alckmin apontou falta de vagas na Educação Infantil, chamou o transporte coletivo de "caro, ineficiente e desconfortável" e criticou a administração do sistema de saúde. Apesar das duras críticas a Kassab, Alckmin poupou Serra - liderança tucana que vem ajudando o democrata nos bastidores. Sobre a ausência do líder tucano em sua campanha, limitou-se a dizer que o candidato é quem luta por votos, não o governador. Chegou a dizer até que sua vitória agora ajudaria a campanha de Serra para presidente em 2010, pois fortaleceria o PSDB no Estado.  Clóvis Carvalho O confronto se acirrou ainda após críticas do secretário municipal de Governo, Clóvis Carvalho - um dos maiores aliados de Serra -, ao comportamento Alckmin. Por conta dos ataques a Kassab, Carvalho acusou Alckmin de "oportunista" e de não ter "compostura" na campanha. A declaração de Carvalho, ex-ministro do governo FHC, publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo, levou a cúpula dos dois partidos a cobrar entendimento a menos de 15 dias da eleição. De Maceió, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), exigiu respeito, e não confronto, para que as siglas estejam juntas no segundo turno. "Não há problema em haver um embate administrativo, mas nada que desautorize ou diminua lideranças. Isso só ajuda o adversário, que é o PT", disse Guerra. O pedido de armistício veio também do DEM. "Os partidos são maiores do que as pessoas. Não tenho dúvida de que dessa maneira estaremos juntos no segundo turno", afirmou o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Mesmo assim, os alckmistas retomaram a carga. O líder na Câmara, José Aníbal (SP), por exemplo, classificou Carvalho de "insignificante".

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