Alckmin rebate críticas à atuação policial

Governador diz que 'é preciso parar de falar mal da polícia' e defende atuação contra protestos e na prisão de manifestantes

O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2014 | 02h02

O governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu de maneira enfática a ação das forças policiais no Estado. "A primeira coisa é parar de falar mal da polícia. Ela tem agido com absoluto profissionalismo", afirmou. Alckmin foi o primento concorrente ao Palácio dos Bandeirantes a participar da série Entrevistas Estadão.

A manifestação do governador foi uma resposta à observação de um dos entrevistadores sobre a possibilidade de não ter sido dada uma orientação clara para a Polícia Militar durante as manifestações de rua iniciadas em junho do ano passado. Ela teria agido em alguns momentos com força excessiva, utilizando balas de borracha, e em outros teria sido omissa. O governador respondeu: "A orientação é para garantir o direito de manifestação, a integridade dos manifestantes". "Isso é sagrado. É a regra. Agora, vandalismo, depredação, pessoas que se escondem através de máscaras para destruir o patrimônio público e privado, aí não. Isso é intolerável", afirmou.

Quando um internauta reclamou de casos de abuso policial, cometidos principalmente contra a população negra e pobre, Alckmin comentou: "Em primeiro lugar eu queria dizer que os profissionais são preparados, têm aulas, orientação de respeito aos direitos humanos e às pessoas". Segundo o governador, São Paulo tem "a menor letalidade do País".

"Também temos uma grande corregedoria. Temos 120 mil policiais e, se alguém comete um abuso, vai ser punido. Mas é a minoria. A corregedoria é extremamente atuante", disse. "Eu sei porque as demissões são assinadas pelo governador e é impressionante o número de policiais que saem da corporação e respondem civil e criminalmente."

Acusados. Alckmin também foi questionado sobre o caso do professor Fábio Hideki Harano, da Universidade de São Paulo (USP), detido desde o mês passado sob as acusações de associação criminosa, incitação à violência e posse de artefato explosivo durante manifestações de rua.

Ao ser lembrado de manifestações da defesa do professor e de entidades de direitos humanos, segundo as quais as provas teriam sido forjadas, Alckmin respondeu: "Quem pode condenar ou soltar as pessoas é a Justiça. O trabalho da polícia foi tão bem feito que a Justiça não soltou... Por que a polícia plantaria provas contra alguém? Imagina... Os trabalhos da polícia são documentos e permanentemente avaliados".

Ainda ontem, após o término da entrevista, a defesa de Harano divulgou dois laudos recém-concluídos sobre o material apreendido com o professor e outro acusado de atos de vandalismo em São Paulo. Assinados por técnicos do Instituto de Criminalística e do Grupo de Ações Táticas Especiais, ao qual está subordinado o Esquadrão Antibombas do Estado, os dois constataram a inexistência de material explosivo. / R.A.

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