Alckmin planeja troca na Agricultura em reforma

Governador teria feito cobranças à secretária Mônika Bergamaschi sobre desempenho e condução da pasta

O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h04

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem dado mostras nas últimas semanas de que está insatisfeito com a atual condução da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O fato, segundo auxiliares próximos, tem fortalecido a tese de que a atual titular da pasta, Mônika Bergamaschi, poderá ser substituída em uma minirreforma do secretariado, prevista para março.

A avaliação do governador, de acordo com membros da administração estadual, é de que a pasta poderia ter apresentado um desempenho melhor este ano. Entre as críticas estão a dificuldade de interlocução com a pasta e a falta de celeridade na execução de projetos que beneficiem o setor.

Em público, no entanto, Alckmin elogia a secretária e banca a permanência dela no cargo. "A secretária de Agricultura vai muito bem e vai continuar secretária", disse ontem, em Ribeirão Preto. Mas o desconforto do governador com o modo de comando da pasta teria sido manifestado em reunião, no dia 17 de dezembro, com a equipe de governo. Segundo alguns dos presentes, o tucano teria feito cobranças à secretária, após ela apresentar um balanço das ações de 2011 e das previsões para 2012.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura negou que o governador tenha feito, durante a reunião, "reprimenda específica à secretária Mônika Bergamaschi". A assessoria ressaltou ainda que a pasta tem "trabalhado intensamente pelo desenvolvimento do agronegócio paulista". "Nos colocamos à disposição das solicitações da imprensa sobre nossos programas e projetos."

Polêmica. As críticas ao desempenho da Secretaria de Agricultura surgem até entre aliados, como o presidente estadual do PSDB, deputado estadual Pedro Tobias. Ele defendeu abertamente a saída da secretária. "No meu ponto de vista, a atual secretária deveria ser trocada", disse Tobias.

Logo após assumir o cargo, Mônika irritou o dirigente tucano ao escalar o secretário adjunto, Alberto Macedo, para recepcioná-lo em uma audiência. O deputado não aceitou o encontro, levou as críticas ao Palácio dos Bandeirantes e ameaçou torná-las públicas em um discurso na Assembleia Legislativa, mas foi demovido da ideia.

Após o episódio com o presidente do PSDB, o secretário adjunto foi ainda o pivô de uma áspera discussão com a então chefe de gabinete da secretaria, Maria Cristina Godoy. Segundo relatos de funcionários da pasta, no episódio que culminou com sua saída do cargo, Maria Cristina teria reclamado da centralização dos poderes nas mãos de Macedo e discordado de vários procedimentos internos.

Responsável pela indicação de Mônika e de Macedo, o ex-secretário de Agricultura Duarte Nogueira, hoje deputado federal pelo PSDB, negou qualquer crise na secretaria. / GUSTAVO PORTO e GUSTAVO URIBE

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