Alckmin pede moderação com Kassab

Preocupado em deixar as portas abertas para uma aliança com o PSD, governador solicitou que pré-candidatos evitem críticas ao prefeito

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h07

Preocupado com a repercussão política da pré-campanha promovida pelos quatro pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo em 2012, o governador Geraldo Alckmin articulou uma reunião com os tucanos em que foi pedida moderação nos ataques ao atual prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD).

No encontro, feito ontem pela manhã numa padaria no bairro do Morumbi - no mesmo local em que Alckmin deu entrevista na semana passada após o encontro com os quatro postulantes ao cargo -, o presidente do PSDB municipal, Julio Semeghini, e o responsável pela comunicação do Palácio dos Bandeirantes, Márcio Aith, tentaram pautar o discurso dos tucanos, por orientação de Alckmin. Os pré-candidatos estão em campanha para disputar as prévias no PSDB, que podem ocorrer em março do ano que vem.

A ideia transmitida para os quatro pré-candidatos - os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente), José Aníbal (Energia) e o deputado federal Ricardo Tripoli - foi que o principal adversário do PSDB é o PT, e não Kassab, e que eles têm de tomar cuidado com os ataques para não fecharem as portas nas negociações com o PSD, partido recém-criado pelo prefeito.

A cúpula do PSDB teme que ataques diretos ao prefeito e à sua gestão inviabilizem a aliança com Kassab, que propôs um acordo com os tucanos, segundo o qual apoiaria a reeleição de Alckmin em 2014, em troca do apoio do PSDB ao seu candidato na eleição para prefeito.

Na corrida do ano que vem, os tucanos indicariam o vice numa chapa encabeçada pelo vice-governador Guilherme Afif Domingos. Dois anos depois, Kassab poderia ser indicado vice-governador na chapa de Alckmin.

Sem acordo. Não há consenso entre os tucanos sobre o acordo. Os principais aliados do governador Alckmin defendem que haja uma aliança, mas desde que a cabeça de chapa seja do PSDB, não do PSD, de Kassab.

Na reunião na padaria realizada ontem pela manhã, também foram passadas para os quatro pré-candidatos informações sobre os investimentos do governo do Estado em áreas como educação e saúde. Foi pedido aos tucanos que usassem os dados nos debates que farão nos próximos dias, como no do jornal Folha de S. Paulo, marcado para hoje. As informações repassadas tratam dos investimentos feitos em todo o Estado, e não só na capital paulista.

Sinal vermelho. O primeiro debate realizado entre os pré-candidatos, na última segunda-feira, acendeu o sinal vermelho no Palácio dos Bandeirantes. Foram feitos ataques a Kassab durante o encontro.

Os tucanos ainda não sabem qual discurso adotar na campanha de 2012: se vão se posicionar como oposição ou como governo, já que o PSDB faz parte da gestão Kassab. Por isso, os ataques preocuparam a cúpula tucana, num momento em que o partido ainda não definiu qual estratégia deve usar na campanha.

Além disso, houve farpas trocadas entre os próprios pré-candidatos. Críticas de Bruno Covas a ações consideradas "higienistas" na cidade foram interpretadas como um recado para Andrea Matarazzo, que foi secretário das Subprefeituras da capital nos governos Serra e Kassab e enfrentou as mesmas críticas.

O PSDB é o único partido que deve realizar prévias, já que o PT definiu que lançará o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.