Marcio Fernandes|Estadão
Marcio Fernandes|Estadão

Alckmin investe sobre reduto do PT no Estado

Governador tucano age para conquistar o domínio nas cidades da região paulista que é o berço da legenda petista e concentra uma população estimada de 3 milhões de pessoas

Adriana Ferraz, Pedro Venceslau e Marianna Holanda , O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2016 | 05h00

Depois de atuar diretamente para eleger o tucano João Doria no primeiro turno em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) trabalha agora para consolidar sua influência nas cidades do ABC paulista, que somam cerca de 3 milhões de habitantes e durante anos foram chamadas de “cinturão vermelho” por causa do predomínio do PT. 

Definidas como prioritárias no segundo turno por auxiliares de Alckmin, as campanhas dos candidatos afinados com o Palácio dos Bandeirantes em São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema e Mauá adotaram o antipetismo como mote e receberam reforços. Nas demais cidades da região – São Caetano do Sul, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra –, os petistas e seus aliados já foram derrotados no primeiro turno.

“No ABC paulista, a nossa maior vitória será acabar com o cinturão vermelho. O governador pediu atenção especial na região, que é nossa prioridade número 1”, disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB paulista. Em 2012, o PT conseguiu vencer em São Bernardo, Santo André e Mauá. Agora, só disputa nestas duas últimas cidades. 

O caso mais emblemático ocorre em São Bernardo, berço do PT e do lulismo, onde o tucano Orlando Morando, deputado estadual, transformou sua campanha em uma “franquia” de Doria. Além de colar sua imagem no empresário e recebê-lo ontem para um evento de campanha na cidade, Morando adotou o jingle e o slogan do prefeito eleito na capital. 

O “Acelera São Paulo” foi substituído por “Acelera São Bernardo” e a música “João trabalhador” por “Orlando trabalhador”. A estratégia, porém, não foi um plágio, uma vez que os autores foram consultados e assinaram, a pedido de Doria, um documento autorizando a reprodução. Nesta terça-feira, 11, ao lado de Morando, o prefeito eleito da capital foi tratado como uma estrela do partido. 

Na semana passada, o próprio Alckmin esteve na cidade para uma agenda oficial e aproveitou para tomar um café com Morando na hora do almoço. O apoio maciço dos tucanos é considerado arma valiosa neste segundo turno na disputa com o deputado federal Alex Manente, do PPS, sigla que orbita na área de influência do governador.

Morando faz campanha na cidade “acusando” o adversário de ter recebido apoio oficial do PT no segundo turno. “Meu concorrente foi aliado forte do PT e hoje tem o apoio do partido. Então, é um Palmeiras e Corinthians. Eu sou o Palmeiras”, disse Morando ao Estado.

Manente, por sua vez, nega que tenha recebido apoio dos petistas. “Essa é uma tentativa de anular o erro de levar o presidente do PCdoB, Orlando Silva, para o primeiro ato de campanha deles no segundo turno”, rebate o candidato do PPS. 

Disputa direta. Em Santo André, o candidato do PSDB, Paulo Serra, enfrenta o atual prefeito petista, Carlos Grana, de quem ele foi secretário até o fim do ano passado, quando ainda estava filiado ao PSD. Serra diz que voltou ao partido três anos depois a pedido de Alckmin, com a missão de vencer a disputa pela prefeitura e reestruturar a legenda na cidade. 

“O Alckmin e o PSDB tiveram a virtude de lançar nos municípios da região candidaturas vistas como antipetistas e de mudança”, disse Serra, que também pleiteia a presença de Doria em algum evento oficial de sua campanha. Até agora, porém, não houve confirmação por parte do prefeito eleito.

Mauá é a outra cidade da região que ainda tem um petista na disputa: Donisete Braga, que tenta a reeleição contra Atila Jacomussi, do PSB. “Temos de reconhecer que sofremos uma derrota no Estado e no Brasil, mas essa postura de levar o Doria à região representa exportar para o ABC o vazio, o supérfluo”, afirmou o deputado federal Paulo Teixeira, da Executiva Nacional do PT.

No primeiro turno, o PT perdeu para o PSDB em Rio Grande da Serra, com o tucano Gabriel Maranhão, que foi reeleito após derrotar Claudinho da Geladeira. Essa era a única cidade do ABC paulista até este ano comandada pelo PSDB.

Em Ribeirão Pires, o candidato Adler Kiko (PSB), ex-tucano, se elegeu contra Dedé da Folha, do PPS. Em São Caetano do Sul quem venceu foi o tucano José Auricchio, ex-secretário estadual de Esportes, que enfrentou Paulo Pinheiro, do PMDB.

Para Doria, a vitória dos tucanos e aliados nas quatro cidades que ainda têm disputa será simbólica. “Minhas amigas e meus amigos, a bandeira do nosso País, que aprendi a respeitar desde criança, não é vermelha, mas verde e amarela”, disse ontem o prefeito eleito de São Paulo, em São Bernardo.

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